Vendas de smartphones crescem 20% no terceiro trimestre

Por Redação | 16.12.2014 às 11:37 - atualizado em 16.12.2014 às 16:57
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Os números do terceiro trimestre de 2014 revelam uma tendência que, cada vez mais, se solidifica no mercado de smartphones: os celulares mais baratos vendem cada vez mais, e nos mercados emergentes, marcas menores estão se tornando populares. É o que mostram os números revelados nesta terça-feira (16) pelo Gartner, firmando a Xiaomi como uma das principais vendedoras e, curiosamente, a Samsung caminhando em direção contrária.

No total, 301 milhões de aparelhos foram vendidos entre julho e setembro de 2014, um total 20% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Hoje, o mercado mobile tem 66% de seu total composto apenas por smartphones, um movimento cada vez mais acelerado devido à venda de dispositivos de baixo custo em mercados emergentes. E é justamente aí que entra a Xiaomi, que obteve a quarta colocação entre as maiores fabricantes do mundo.

De acordo com os dados do Gartner, publicados pelo site Tech Crunch, 16 milhões de celulares da marca foram vendidos no período e ela conquista hoje um market share de 5,2%. Além disso, a empresa teve o maior crescimento de todas nesse trimestre, tornando-se uma das líderes no mercado chinês e apresentando vendas que cresceram 336% nos três meses avaliados.

Enquanto isso, empresas com marcas mais consolidadas no primeiro mundo e em grandes mercados apresentaram queda, e aqui a má notícia se refere à Samsung. Apesar de ainda ser a líder do mercado mundial, com 24,4% desse setor, ela teve venda 8% menores que no mesmo período do ano passado, com 73 milhões de smartphones comercializados. São números que já eram esperados pela companhia, que vem trabalhando para focar mais em setores emergentes, com uma oferta de dispositivos mais enxuta e interligada.

Gartner Q3 2014

Para o Gartner, essa queda toda é mais um reflexo da saturação do mercado de celulares em países de primeiro mundo. Em tais territórios, a venda de dispositivos cai a cada dia na medida em que os consumidores se tornam mais seletivos sobre o que comprar e não parecem mais tão atraídos por pequenas novidades tecnológicas. Sempre que uma mudança grande acontece, eles a procuram, mas quando as alterações são apenas cosméticas ou encaradas como adicionais, o mesmo movimento não acontece.

Prova disso é a Apple que, com as boas vendas do iPhone 6, viu sua fatia de mercado crescer para 12,7% e vendeu 38 milhões de aparelhos entre o modelo tradicional e sua versão Plus. Para analistas, foi um movimento abaixo do esperado, mas para outros, trata-se de uma consolidação ainda maior da empresa como a segunda maior fabricante de smartphones do mundo, ampliando sua distância da Huawei, que vem em terceiro lugar e mais de duas vezes menos penetração no mercado.

É um movimento que, para o Gartner, deve continuar na temporada de final de ano, quando a venda de novos modelos normalmente acontece em grande ritmo. É também essa a expectativa da Apple, que vê seus novos iPhones como uma das grandes vedetes da Black Friday e das compras de Natal, aparecendo como uma bela opção de presente para os aficionados em tecnologia principalmente nos Estados Unidos e Europa.

Android na liderança, como sempre

Por outro lado, enquanto a batalha no mundo das marcas e modelos parece se aquecer cada vez mais, o mundo dos sistemas operacionais tem um campeão indiscutível e absoluto. A venda de smartphones de baixo custo e de fabricantes locais continuou a aumentar o market share do Android, que agora está em 83,1% dos aparelhos em operação no mundo inteiro. São mais de 250 milhões de aparelhos rodando a plataforma.

Gartner Q3 2014

O iOS vem em segundo lugar e, apesar de ter crescido 0,6% em um ano, estando presente em 38 milhões de celulares, não tem a menor chance de se aproximar do sistema operacional do Google. Na mesma medida, porém, ele também está bem longe de ser superado pelo terceiro colocado, o Windows Phone, que vem com 3% de market share e 9 milhões de smartphones.

São números que devem continuar a crescer, em todos os sentidos. De acordo com a análise do Gartner, as vendas de telefones “comuns” reduzirão cada vez mais na medida em que os smartphones se encaminharão para a dominância absoluta do mercado. Mas de acordo com o instituto, isso não tem necessariamente a ver com a preferência dos usuários pelos modelos inteligentes, e sim, pela pouca diferença de preço. Na hora de optar por um celular, diante de pouca variação, a preferência sempre será por aquele que tem mais funções e oferece mais para o comprador.

Até 2018, a expectativa é que 90% dos aparelhos em operação no mundo sejam smartphones. E é justamente nesse movimento que vão entrar as fabricantes menores e mais locais, já que na passagem de um celular convencional para um inteligente, o preço e a simplicidade parecem ser fatores dominantes.