Smartphone: o inimigo número 1 das empresas

Por Colaborador externo | 04 de Dezembro de 2014 às 16h00

Por Ricardo Karpat*

O vício em internet é uma patologia reconhecida pela psiquiatria. Em países como Estados Unidos, Coréia do Sul e China existem clínicas especializadas em tratamento para quem tem esse problema. No Brasil, pessoas são internadas em clínicas de recuperação de drogados para tratar dos sintomas. O problema é muito maior do que a grande maioria imagina.

Casos extremos como os citados acima são cada vez mais frequentes em todo o mundo. Porém, o estágio anterior a esse problema, que é o uso exagerado e indiscriminado da internet, principalmente das redes sociais, tornou-se o maior vilão no rendimento dos profissionais dentro das empresas. Qualquer pessoa já deve ter presenciado uma situação em que aguarda por um atendimento enquanto o profissional dá atenção ao celular, respondendo alguma mensagem e deixando o cliente esperando, em segundo plano.

Na área administrativa, muitos deixam de atingir suas metas e atrasam seus relatórios, porém estão sempre em dia nos assuntos com os amigos, interagindo em diversas redes sociais.

Anteriormente, essa questão era facilmente resolvida. A área tecnológica da empresa bloqueava no computador o acesso a sites não relevantes ao trabalho do profissional e eliminava o problema. Porém, com a disseminação dos smartphones, que além de um telefone é também um computador pessoal de bolso, as empresas estão se deparando com um problema muito maior.

Como controlar o uso? Ser radical ou apostar no bom senso do funcionário?

As empresas têm o embasamento legal de proibir o uso de aparelhos celulares dentro das corporações durante o horário de trabalho, podendo punir o funcionário e chegando até a uma demissão por justa causa.

Algumas empresas já adotaram o seguinte procedimento: assim que o funcionário entra na empresa deve guardar o aparelho em um armário e retirá-lo somente na hora do almoço e na hora de ir embora. Essa conduta resolve o problema pontualmente, porém cria insatisfação nos colaboradores.

Outras corporações, mais modernas, apostam no bom senso, liberando não só o uso do celular, mas também oficialmente o uso de redes sociais. Porém, algumas dessas empresas já se deparam com queda de rendimentos significativos por falta de foco.

Difícil decisão, ao mesmo tempo em que o raciocínio parece lógico: se o celular atrapalha o rendimento do profissional e a lei permite sua proibição, deve ser proibido. Por outro lado, cada vez mais empresas oferecem flexibilidade para atrair os bons profissionais, e uma atitude como a proibição do uso de smartphones pode fazer empresas perderem colaboradores essenciais.

O problema é novo e a solução definitiva está longe de ser alcançada. Cada segmento e cada empresa têm as suas características especificas, o que deve ser levado muito em consideração para esta tomada de decisão. Qualquer que seja a escolha da corporação, as mudanças não devem ser radicais, pois alterações bruscas podem levar a problemas significativos.

*Ricardo Karpat é Diretor da Gábor RH, administrador de empresas especializado em recursos humanos.

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