Presidente da BlackBerry quer lei para obrigar “neutralidade mobile”

Por Redação | 22 de Janeiro de 2015 às 13h20

É bastante comum vermos notícias de que aplicativos populares estão chegando ao iOS, Android e até mesmo Windows Phone. E o BlackBerry, como fica? Normalmente, o sistema operacional é negligenciado e é isso que o presidente da companhia, John Chen, quer resolver por meio de novas leis, que obriguem as empresas a trabalharem com um conceito de “neutralidade mobile” semelhante ao que existe hoje na internet.

A ideia foi explicada em uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e publicada nesta quinta-feira (22). No texto, o executivo pede leis semelhantes às que proíbem operadoras de telefonia de privilegiarem certos serviços ou sistemas online com restrições de banda. Só que aqui, a mesma ideia se aplicaria para evitar que os desenvolvedores criem apps apenas para iOS e Android, e sim, lancem soluções para todas as plataformas, e ainda, deem suporte semelhante a todas elas.

Chen vai além, afirmando que esse aspecto também passa pelos conceitos de neutralidade na internet propostos pelo governo americano, já que aplicações são cada vez mais usadas para acesso à rede. Aqui, ele faz uma comparação com o sistema viário, afirmando que se as estradas da informação são controladas pelas operadoras, os carros são “fabricados” pelos produtores de apps. Só que, em muitos casos, simplesmente não existem modelos para trafegar nelas.

O presidente da BlackBerry chega a apontar o dedo diretamente para duas soluções bastante utilizadas no momento, ambas inexistentes no seu sistema operacional. Ele fala da Netflix, um dos sistemas de streaming mais populares do mundo, e do iMessage, da Apple, disponível apenas o iOS atuando de forma automática na substituição de SMSs enviados entre os usuários de iPhone e iPad por comunicações via web.

No segundo caso, principalmente, é que a coisa fica difícil, já que a Apple faz questão de afirmar que o iMessage é um serviço exclusivo do iOS e, inclusive, oferecido como vantagem para seus usuários. A plataforma não está disponível nem no Android, o que vem causando até mesmo problemas judiciais para a Maçã no caso dos usuários que trocam um iPhone por outro dispositivo.

Apesar disso, Chen exige condições iguais e lembra que o BlackBerry Messenger, seu sistema outrora proprietário, já tem versões para iOS e Android, por exemplo. Agora, ele pede que a Apple tome a mesma atitude com o iMessage. Ele também categorizou a postura da Netflix como contraditória por ser um dos grandes advogados da neutralidade na internet, na mesma medida em que não tem seus serviços disponíveis em todas as plataformas.

Apesar de ser uma realidade, não dá para não pensar que Chen legisla, aqui, em causa própria. Em nenhum momento de sua carta, por exemplo, ele fala de sistemas operacionais como o Tizen ou o Firefox OS, por exemplo, mantendo seu discurso relacionado exclusivamente à própria plataforma. Ele sabe que a ausência de apps é um fator importante para o êxodo de usuários do BlackBerry para outras soluções, e agora, tenta obrigar as desenvolvedoras a agir de forma diferente. A iniciativa, dificilmente, deve seguir adiante.

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