Opinião: Samsung e seu novo Galaxy S5

Por Pedro Cipoli
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Rumores já previam o lançamento de um novo Galaxy S5. Alguns o chamavam de Galaxy S5 Prime, outros de Galaxy F, o que acabou sendo revelado como Galaxy S5 LTE-A, uma versão mais avançada do padrão LTE atual capaz de alcançar velocidades de download perto dos 225 Mbps. Parte das previsões sobre as suas especificações foram acertadas, com um chip Snapdragon 805 da Qualcomm, 3 GB de memória RAM e tela Super AMOLED QHD (2560x1440), embora ainda existam dúvidas se ele trará uma construção melhor que a do S5 atual ou não, já que rumores previam que ele iria ser de metal.

De qualquer forma, o que esse lançamento significa? Afinal, estamos falando de um modelo topo de linha lançado apenas 3 meses depois do Galaxy S5 original, algo até então inédito em modelos topo de linha. Esse lançamento também quebra o padrão da Samsung de lançar um modelo avançado por ano, estratégia copiada da Apple com o iPhone e que realmente faz sentido para os usuários, já que mesmo entusiastas não são capazes (e não veem sentido) de atualizar seu aparelho novo em um espaço de tempo tão pequeno.

O lançamento do S5 LTE-A, ainda que restrito inicialmente à Coreia do Sul, tem mais ramificações do que parece. Em primeiro lugar, faz com que os usuários que compraram um Galaxy S5 nos últimos meses, pagando um alto valor pelo aparelho teoricamente mais avançado da Samsung, já tenham em mãos um modelo desatualizado. Isso é ruim por dois motivos, já que quem não esperou o preço baixar (e os aparelhos da Samsung despencam de preço em poucos meses) já pode ter a certeza de que o seu tão amado S5 não terá tratamento preferencial daqui para frente, já que há um modelo mais "premium" para a Samsung voltar a sua atenção.

Recentemente a Samsung liberou uma nota dizendo que não atualizará o Galaxy S3 porque "ele não atende aos requisitos da hardware do Android 4.4 KitKat", o que é pura palhaçada marketeira que, em outras palavras, significa que "o S3 não é mais comercialmente interessante para nós, e vamos inventar qualquer motivo para que você compre um modelo novo". O que isso significa? Que modelos da Samsung, mesmo os mais avançados, têm um ciclo de vida bastante curto, e que essa desculpa esfarrapada não cola, já que o Moto E da Motorola e os modelos mais básicos da LG já trazem o Android 4.4 sem ter a metade da potência do Galaxy S3.

Galaxy S5 LTE-A

Se mesmo o flagship de 2012 já não recebe mais atenção, quanto tempo de vida um Galaxy S5 desatualizado já tem em 3 meses? Muito pouco. Temos também um segundo fato desagradável: a Samsung não fez o seu melhor esforço no S5, já que ela só lançou o S5 LTE-A porque a LG lançou o G3 com tela QHD pouco tempo antes. Aliás, ultimamente ela só corre atrás de concorrentes, implementando o sensor de impressões digitais única e exclusivamente porque a Apple anunciou o iPhone 5S com o Touch ID e resistência contra água e poeira porque já estava presente nos topos de linha da Sony.

Como dizem, "cópia é a forma mais sublime de elogio", e a Samsung tem elogiado bastante ultimamente. Além de copiar, ela tem ignorado sistematicamente as queixas do usuário. Basta olhar para o S5 LTE-A para ver que ele vem com a mesma TouchWiz do S5 original, ou seja "premium" no marketing e "premium" nos bugs e lentidões de praticamente um sistema operacional rodando sobre o Android. Outro problema é uma questão matemática: processador mais potente, tela com maior resolução e mesma bateria.

Se o S5, conforme vimos em nossos testes, mal aguenta um dia sem fazer uso do modo de emergência, o que esperar do S5 LTE-A? Modo de emergência quando a bateria chegar em 60%? Ele virá com uma bateria extra para atender aos usuários mais avançados?

Parece que a Samsung "perdeu a mão", insistindo na estratégia de lançar dezenas de aparelhos por anos, atualizar menos da metade deles (quando atualiza) e esperar que os usuários comprem modelos novos para sustentar a sua sede de lucros. Vale lembrar que ele chegará ao mercado pelo preço de US$ 919. Se o Galaxy S5 desbloqueado custa aproximadamente US$ 600 da Amazon e é vendido no Brasil por R$ 2.600, quanto custará o S5 LTE-A? E por último, vale lembrar que a Samsung só colocou esse preço para distanciá-lo do S5 original, não tendo nenhuma relação (ou mesmo intenção) de fazê-lo custar o que vale.