O seu smartphone pode ajudar na prevenção de desastres naturais

Por Willians Bini | 07 de Julho de 2012 às 15h40

Já há alguns anos percebemos um rápido e exponencial crescimento tecnológico, especialmente em relação ao potencial desses nossos pequenos notáveis, que são os atuais smartphones.

Meu primeiro "aparelho inteligente" foi um antigo Palm, modelo M100, que apesar de ser uma agenda mais moderninha, naquele período passou a ser algo realmente revolucionário. Mas a tecnologia mudou muito (telas coloridas, telas com touch, bluetooth, wi-fi, mais memória, mais velocidade, melhores sistemas operacionais, integração com celulares, GPS, etc), sendo que hoje temos verdadeiros computadores na palma de nossas mãos.

Mas qual é o limite desse avanço tecnológico? Vemos diariamente novos modelos, novos recursos, sempre trazendo alguma novidade. Recentemente fui surpreendido com mais um recurso que, pra muita gente, passou em branco.

Quando anunciaram há alguns meses o Galaxy Nexus, último modelo de smartphone do Google, havia nas especificações do aparelho a presença de um certo “barômetro”. Mas pra que, afinal, um barômetro (sensor que mede a pressão atmosférica) estaria presente em uma Smartphone? Eu também li em alguns lugares que esse barômetro iria auxiliar na geolocalização, ou seja, junto com o GPS, daria uma melhor precisão na sua localização. Mas como eu sou meteorologista de formação (e não apenas por paixão), ao ler isso me senti bombardeado por idéias e inúmeras possibilidades.

Eu trabalho com meteorologia há mais de 10 anos, e diferente do que muita gente pensa, nós não olhamos para o céu e para as nuvens para fazer a previsão. Hoje ela é feita 100% a partir de modelos meteorológicos de altíssimo desempenho, que usam e abusam da tecnologia de supercomputadores para alacançar melhores e mais rápidos resultados.

Como podemos ter melhores resultados de previsão do tempo? Uma das formas é termos melhores dados meteorológicos observados. E como ter melhores e mais dados meteorológicos? Com estações meteorológicas. E como ter mais estações? Com investimento dos órgãos públicos responsáveis na compra desses equipamentos. Mas ai também já é outra estória. Só pra exemplificar, o Brasil conta hoje com algumas centenas de estações meteorológicas, sendo que nos EUA, eles possuem varios milhares de estações.

Muita gente já deve estar achando que estou sugerindo que andemos com estações meteorológicas em nossos bolsos, certo? Não é bem isso. Precisaríamos, além de um barômetro, de um termômetro (para temperaturas), anemômetro (para direção e intensidade do vento) e um higrômetro (para a umidade do ar). Portanto, vamos descartar essa ideia.

E o que fazer então com um medidor online de pressão atmosférica? Em resumo, basta que saibamos que todo e qualquer fenômeno meteorológico está associado com variações de pressão. Sabe aquela frente fria que estragou seu feriado? Ou então aquele temporal de final de tarde que te fez ficar preso no trânsito? Tudo isso (e muito mais) está relacionado com mudanças na pressão. De forma bem geral, quando a pressão cai, vêm coisa pela frente - e se ela cair muito rápido, a coisa pode ser feia! Agora imaginem centenas de milhares de pessoas compartilhando, online, a informação da pressão atmosférica de onde ela esteja. Nem preciso ir muito longe pra dizer que teríamos uma rede social de monitoramento de condições meteorológicas.

Um sistema que integrasse todas essas informações faria automaticamente um mapa com isóbaras (linhas de pressão), e teríamos um sistema online de monitoramento e alerta de tempo severo. Um exemplo muito prático: uma tempestade nada mais é do que uma intensa área de baixa pressão. Imaginemos que uma dessas tempestades se forme no interior de São Paulo e comece a se deslocar em direção à capital. Os milhares de aparelhos que compõem essa “rede social” estariam automaticamente coletando e compartilhando as informações de pressão atmosférica, e antes dessa chuva chegar à capital, todos já teriam sido alertados.

Atualmente existem outras ferramentas de monitoramento (as próprias estações meteorológicas, radares, satélites, modelos, etc), mas certamente teriamos uma precisão maior nesse tipo de evento, além do sentimento de estar contribuindo com algo maior, de extrema importância, e que na nossa realidade de país tropical, muitas vezes significa salvar vidas humanas.

Em uma rápida busca no Google Play, pude ver que existem algum aplicativos que fazem uso do barômetro. Um exemplo é o Sypressure (US$1,99), que mostra a pressão online, gráficos de registro, e também dá alertas meteorológicos, mas com base apenas nos dados registrados por ele mesmo.

A boa notícia é que esse sensor de pressão também está presente no novíssimo lançamento da Samsung, o Galaxy S III. Espero que essa seja uma tendência para os próximos modelos de smartphones.

E quem disse que o meio ambiente não pode tirar proveito da Tecnologia? Pelo menos aqui nessa coluna, elas sempre andarão juntas.

Até a próxima!

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