O que realmente significa a venda da BlackBerry?

Por Joyce Macedo | 25 de Setembro de 2013 às 07h35

A semana começou com a notícia de que a BlackBerry cedeu e decidiu fechar seu capital. A empresa assinou uma Carta de Intenção para formalizar um acordo de venda, avaliado em US$ 4,7 bilhões, para um consórcio liderado pela Fairfax Financial (maior acionista da companhia). Muitas pessoas foram pegas de surpresa com o possível fechamento do capital da BlackBerry, então reunimos alguns detalhes para esclarecer melhor toda a situação vivida pela companhia.

Por que se tornar uma empresa privada agora?

Não é nenhuma novidade que a antiga Research In Motion (RIM), atual BlackBerry, está apanhando dos concorrentes no mercado de smartphones há anos. A empresa tem se esforçado para tentar destacar-se novamente, e isso inclui um reposicionamento da marca e o lançamento de um novo sistema operacional (BB10) repaginado, mas nada disso conseguiu desfazer as enormes perdas de sua participação no mercado decorrentes do sucesso do iPhone e inúmeros concorrentes baseados em Android.

Na última semana, a empresa anunciou que esperava um prejuízo de US$ 1 bilhão para o último trimestre fiscal juntamente com a notícia de que iria demitir 40% de sua força total de trabalho. A soma de tudo isso formou um cenário realmente complicado para a empresa.

Quem é Fairfax Financial?

A Fairfax Financial é uma companhia financeira com sede em Toronto, Canadá, que foi fundada pelo bilionário Prem Watsa, um investidor indiano. O principal negócio da Fairfax é seguro de propriedades e contra acidentes. Watsa tem sido um dos principais acionistas da BlackBerry há algum tempo, com cerca de 10% do total de ações, e em janeiro de 2012 o empresário se uniu ao conselho da BB (um movimento que gerou especulações imediatas sobre a possível compra da empresa).

Jeff Fenwick, analista da Cormark Securities, disse ao CNET que Watsa é "um investidor astuto", que "teve uma trajetória realmente fenomenal ao longo dos últimos 25 anos". Ele completa dizendo que nem todos os negócios em que Watsa entrou foram um sucesso, mas ele acredita que o investimento na BlackBerry não é algo que o indiano considere grande, "mas ele está à procura de uma maneira de tirar algum valor disso".

Isso significa que a BlackBerry vai fechar seu capital completamente?

É pouco provável que isso aconteça a curto prazo. Jack Gold, da Gold Associates, disse à agência de notícias Reuters que este é provavelmente o melhor resultado possível de várias opções atraentes para a BlackBerry. Ele acredita que a manobra pode fazer com que a empresa tenha mais tranquilidade para tentar consertar suas falhas, sem "Wall Street respirando o tempo todo em seu pescoço". Gold completa seu raciocínio dizendo que o fechamento do capital "permitirá que a gestão concentre-se em aspectos importantes de reestruturação, ao invés de gastar uma enorme quantidade de tempo com a comunidade de investimento".

Então qual será o destino da BlackBerry?

Isso ainda não está completamente claro, mas ao anunciar que havia assinado a Carta de Intenção, a companhia disse que pretende deixar de direcionar seus esforços para o mercado de consumo e focar no mercado profissional, oferecendo soluções end-to-end, incluindo hardware, software e serviços.

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