O que esperar da próxima geração de smartphones?

Por Pedro Cipoli

Números, especificações, fichas técnicas... Os smartphones atuais são mais poderosos que computadores de alguns anos atrás. No momento em que esse artigo foi escrito, processadores móveis de oito núcleos e smartphones com 3 GB de memória RAM viraram assuntos comuns em discussões de tecnologia, onde um lado diz que isso é uma evolução natural e outro que é poder de fogo desnecessário.

Enquanto ambos os lados possuem bons argumentos, o fato é o seguinte: smartphones e tablets estão ficando mais poderosos, mas eles não estão ficando necessariamente melhores. Os departamentos de marketing estão jogando pesado com as especificações técnicas e tecnologias suportadas, mas isso não está se traduzindo em uma experiência melhor para o usuário, pelo menos não na mesma velocidade em que o hardware avança.

Evolução do Android

O motivo? O software não está avançando. Os recursos que são adicionados às novas versões dos sistemas móveis são, muitas vezes, bobeirinhas ou curiosidades, e não ferramentas que irão agregar funções ao dia a dia do usuário. Basta dar uma olhada em seus amigos que compraram um Galaxy S4, por exemplo: quantos deles usam os tão propagandeados sensores no dia a dia? Ou será que eles deixam esses sensores desativados para economizar a bateria, que mal dura um dia?

Outro ponto, que não é restrito somente à Samsung e sua odiosa TouchWiz, é adotar interfaces tão pesadas e cheias de bugs que mesmo a configuração proto-notebook do Galaxy S4 trava às vezes? Nada contra criar uma identidade visual em uma marca para diferenciar o produto, mas quando esta pesa na configuração do smartphone, consome mais bateria e ainda apresenta bugs, está na hora de rever a utilidade de interface própria.

Google Now

Não muito tempo atrás os smartphones da Motorola eram detestados, e não por especificações técnicas ou baixa qualidade dos aparelhos, mas sim pelo MotoBlur. Mesmo custando mais barato e sendo tecnicamente melhor, usuários fugiam dos Milestones e Atrix simplesmente por causa do MotoBlur. O que a Motorola fez? Abandonou a interface e instalou um Android puro praticamente sem modificações em seus novos modelos, como Moto G e Moto X. E não é que deu certo?

Outro fato é essa corrida armamentista nas especificações. Os smartphones com Android são os únicos que trazem processadores quad-core como regra – e não por necessidade de processamento, mas porque eles ficam bem nas fichas técnicas. Modelos dual-core são mal vistos pelos mais exigentes, mostrando que o departamento de marketing dos fabricantes está trabalhando bem, mas qual o benefício real para o usuário? Nenhum que um modelo dual-core de qualidade não seja capaz de fornecer, isso porque agora os modelos com 8 núcleos estão se tornando o novo padrão.

Siri

As telas também não escapam de uma análise mais detalhada. Em 2012 o padrão Android-top-de-linha era de telas HD. Em 2013 o patamar subiu e partimos para o Full HD, e 2014 será o primeiro ano com telas quad-HD (2560x1440), isso sem a menor justificativa racional para tal. Usuários hardcore de Android criticam o Windows Phone com suas telas 720p e os iPhones com o Retina, mas o fato é que em nenhuma delas é possível enxegar pixels, já que elas trazem uma densidade acima de 300 ppp e excelente qualidade, mesmo com "baixa resolução".

Juntando os parágrafos acima temos um problema adicional, que são as baterias. Elas precisam ser maiores, já que são demandadas cargas adicionais para sustentar um processador mais parrudo e uma GPU mais potente, afinal, são mais pixels para movimentar. E sim, as baterias estão ficando maiores, mas a autonomia não está aumentando, já que raros são os modelos que passam um dia e meio fora da tomada. Especificações potentes que o usuário não percebe e telas que não trazem benefícios diretos com resoluções mais altas, onde o consumidor sai ganhando?

Galaxy S5

Em cima de tudo isso, temos o software, este que certamente ganhou polimentos de interface em todas as plataformas e correção de bugs, mas não está "mais inteligente". O Google Now é uma ferramenta com possibilidades infinitas, assim como o Siri, mas ambos são mais utilizados para buscas do que para qualquer outra coisa. No caso do Windows Phone, há uma área de notificações completamente ineficiente que só notifica uma informação por vez e não tem um histórico, que provavelmente será resolvido este ano ou no próximo, mas o Windows Phone 8 foi lançado em 2012. Naquela época esse problema não tinha sido previsto?

iPhone 6

Com tanto poder de processamento, telas que se dobrarem os pixels não farão a menor diferença e sistemas operacionais que já passaram por uma série de refinamentos durante anos, não é possível implementar recursos mais sofisticados? Por exemplo, imagine que você está perdido, pega o seu smartphone e, sem apertar um botão, pergunta: "Onde eu estou e como eu chego em casa?" e ele mostre alternativas de transporte público da sua localização exata e ainda diga "É melhor você se apressar. A estação mais próxima fecha em 15 minutos".

Ou mesmo coisas ao estilo Tony Stark, do tipo "tocar a música X no sistema de som da sala" sem nem mesmo tirar o smartphone do bolso. O hardware está lá (nesse caso, o DLNA), o sistema de som também, assim como a conexão Wifi e o microfone, mas temos que desbloquear a tela, acessar o app e configurá-lo para reproduzir. No caso do Google Now, ele não pode detectar que você está saindo de casa e informar que o dia atual é um dos mais quentes do ano e de quebra a Av. Paulista está com um trânsito pesado no trecho onde o usuário irá passar? Há um exército de pessoas que informam esses fatos através do Waze, que agora é do Google, além de um sistema de GPS embutido que evoluiu bastante nos últimos anos.

DLNA

Está na hora de aumentar o nível, de deixar o consumidor com vontade de trocar o smartphone não importa qual processador ou resolução de tela ele é equipado, mas sim com os recursos exclusivos que oferece. Ao invés de informar que o modelo X tem GPS com A-GPS e GLONASS, DLNA, Bluetooth 4.0, dizer que "este é o primeiro smartphone que honra o "smart" que carrega no nome. Ele faz X, Y, Z e sua bateria dura no mínimo 3 dias. Ah sim, ele não trava, a tela é sensacional e a câmera funciona bem em qualquer situação", sem siglas ou explicações detalhadas, apenas informando que ele vai te ajudar no dia a dia. Não seria bem melhor?