Multilaser M5 3G, um phablet de entrada com dual-chip

Por Pedro Cipoli
photo_camera BRUNO HYPÓLITO / CANALTECH

Pouco tempo atrás era possíel diferenciar um smartphone e um tablet simplesmente colocando um ao lado do outro. Porém, os tablets começaram a ficar menores, com alguns modelos de 6 ou 7 polegadas, e os smartphones ficaram maiores. Modelos de 4 polegadas já começaram a ser considerados "pequenos" em relação aos novos lançamentos.

Esse cenário fez com que uma nova categoria de aparelhos surgisse: os phablets, modelos que possuem todas as características de um smatphone, mas que são grandes o suficiente para serem utilizados como tablets. Essa categoria teve o Galaxy Note original como primeiro exemplar e, desde então, vários fabricantes começaram a lançar seus aparelhos concorrentes.

Como a tela é um dos componentes mais caros de qualquer smartphone ou tablet, os phablets são vendidos a um preço consideravelmente alto, mas não é o caso do Multilaser M5 que vamos analisar agora. Com 5 polegadas e resolução relativamente baixa, este modelo traz todas as vantagens (e desvantagens) de um gadget grande sem ser vendido a um preço exorbitante.

A tela utiliza tecnologia LCD, causando bastante estranheza para quem está acostumado com telas LED que equipam os modelos atuais. As cores não são tão brilhantes e nítidas e a iluminação não é das melhores, com poucos níveis intermediários. Mesmo o nível mínimo é muito forte para ambientes sem nenhuma luz.

De qualquer forma, 5 polegadas é um tamanho bastante confortável para fazer pesquisas e digitar textos com as duas mãos, e, como qualquer modelo de smartphone maior, somos obrigados a transportá-lo no bolso de trás da calça ou na parte interna do casaco, já que ele até cabe no bolso da frente, mas causa desconforto ao andar.

A performance fica por conta do processador dual-core de 1 Ghz e 512 MB de memória RAM, configuração que se mostrou forte o suficiente para sustentar o sistema Android 4.1 (Jelly Bean) e foi capaz de proporcionar uma boa experiência multi-tarefa. Em relação a jogos, o M5 conseguiu rodar boa parte dos games disponíveis no Google Play, mas deixou a desejar em títulos mais pesados como Dead Trigger e Real Racing 3.

Um ponto bastante negativo que observamos foi o desalinhamento do acelerômetro, sensor utilizado por muitos games e apps. Além de precisarmos manter o smartphone inclinado para estabilizá-lo, pudemos perceber que ele é bastante impreciso, fazendo com que alguns games, como os de corrida, que utilizam esse sensor, fiquem impossíveis de serem jogados.

Suportando até dois chips SIM simultaneamente, o M5 foca nos usuários que possuem duas linhas telefônicas e traz um sistema bastante simples de controle de conexões 3G. Esta é uma boa notícia para o público brasileiro, que está acostumado a manter duas linhas para escapar das taxas abusivas de ligações entre operadoras diferentes.

Por suportar duas linhas e por ter um tamanho acima da média, é natural que o M5 traga uma bateria de grande capacidade, afinal duas linhas simultâneas consomem uma quantidade generosa de energia, ainda mais quando estamos falando de conexões 3G. Quem está acostumado a utilizar o smartphone para tarefas leves ficará feliz em saber que os 2150 mAh de capacidade conseguem sustentar o aparelho por até 2 dias inteiros, mas aqueles que utilizam o smartphone para tudo, como mandar e-mails, ler notícias e assim por diante podem esperar que ele aguente somente um dia inteiro de uso.

Junto com o smartphone, a embalagem inclui um carregador um pouco maior do que estamos acostumados, um cabo micro USB, fone de ouvido, uma sacola da Multilaser (por algum motivo) e um pano especial para limar a tela sem arranhá-la, sendo basicamente os mesmos itens encontrados em modelos mais top de linha. Com somente 4 GB de memória interna, um cartão SD viria a calhar, mas não está incluso na embalagem.

Conclusão

O Multilaser M5 3G pode ser encontrado no mercado brasileiro por cerca de R$ 800, preço bastante atraente pelas configurações e tamanho de tela, sendo ideal para quem quer ter o seu primeiro "phablet". Porém, a tecnologia de iluminação LCD e sua baixa resolução podem ser fatores bastante negativos para muitos usuários, em especial aqueles que estão acostumados com telas LED, como a famosa Super AMOLED da Samsung.

Pela faixa de preço as configurações são até razoáveis. Ele é rápido o suficiente para agradar o usuário básico, mas fica longe do esperado pelos power users. Aliás, a combinação de um processador dual-core de 1 GHz e 512 MB está aparecendo frequentemente em aparelhos de todas as marcas, sendo o mínimo necessário para suportar aplicativos mais modernos sem apresentar engasgos.

Vantagens

  • Ideal para quem quer seu primeiro phablet, cumprindo seu propósito
  • Preço acessível
  • Dual-chip, atendendo a necessidade do público brasileiro

Desvantagens

  • Tela de baixa resolução e com tecnologia LCD, bastante antiga e comprometendo a qualidade final do produto
  • Acelerômetro desregulado e pouco preciso
  • Somente 4 GB de memória interna, obrigando o usuário a adquirir um cartão micro SD separadamente