Ministérios da Coreia do Sul querem "desintoxicar" viciados em smartphones

Por Redação | 25.06.2013 às 18:04

A Coreia do Sul é berço de gigantes da tecnologia, como Samsung e LG, e o sucesso das empresas no setor de telefonia, principalmente no caso da Samsung, deixa o país orgulhoso. Mas, por outro lado, o vício das pessoas em relação aos dispositivos móveis também preocupa as autoridades da região.

Uma recente pesquisa realizada pela empresa eMarketer apontou que a Coreia do Sul possui a taxa mais alta de "pessoas conectadas". Para ter uma ideia, cerca de 60% dos 50 milhões de sul-coreanos possuem um smartphone. Mais de 80% dos estudantes sul-coreanos com idades entre 12 e 19 anos tinham um telefone inteligente em 2012.

Para tentar diminuir a dependência dos jovens em relação ao dispositivo, dados de um relatório do governo sul-coreano divulgado pela agência de notícias AFP mostraram que uma parceria dos ministérios da Saúde e da Educação com as escolas deveria resultar na criação de cursos de férias para que os alunos viciados em tecnologia fossem "desintoxicados".

A agência destacou ainda que uma pesquisa local realizada anualmente apontou que 20% dos jovens estão realmente viciados em seus smartphones. Entre os principais sintomas associados ao "diagnóstico" estão: ansiedade ou depressão quando estão longe do dispositivo; tentativas frustradas de diminuir o tempo gasto com o aparelho; e sensação de felicidade quando se está conectado. E esse vício pode começar mais cedo do que pensamos.

"Muitas mães deixam que seus bebês brinquem com seus smartphones por horas para ficarem tranquilas em casa. Acho que isso é perigoso", disse à AFP Lee Jung-Hun, psiquiatra da Universidade Católica de Daegu. "Quanto mais jovem, mais fácil se tornar dependente", explicou.

Para os mais extremistas, um dos perigos do uso excessivo dos telefones inteligentes é que os jovens podem se tornar "escravos sem cérebro". "Se usarem demais seus smartphones, como o iPhone, sem necessidade de exercitar o cérebro, no fim das contas vocês vão perder a capacidade de criar algo tão brilhante e inovador como o iPhone. Essa é a ironia dessa situação", explicou Kim Nam-Hee, que trabalha em uma associação de luta contra a dependência digital na Coreia do Sul.

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