Hugo Barra quer trazer a fabricante chinesa Xiaomi para o Brasil

Por Redação | 10 de Março de 2014 às 17h46
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Enquanto Apple, Samsung, Sony e outras fabricantes de smartphones mundialmente conhecidas são as mais populares aqui no Brasil, lá na China a situação é bem diferente. Com pouco mais de quatro anos de vida, a Xiaomi Technology tem conquistado cada vez mais espaço no mercado oriental. A empresa faz tanto sucesso entre os chineses que até mesmo o CEO da companhia, Lei Jun, é comparado ao gênio Steve Jobs, graças a suas apresentações e estratégias de marketing similares.

De olho no cenário atual da tecnologia móvel, a Xiaomi contratou no final de 2012 ninguém menos que o vice-presidente da divisão Android do Google, o brasileiro Hugo Barra. Agora, como vice-presidente global da marca chinesa, o mineiro de 36 anos promete aumentar ainda mais a participação da companhia em todo o globo, começando com outros países da Ásia. E a boa notícia é que não é só do outro lado do mundo que Barra quer expandir os negócios da empresa: as chances da Xiaomi chegar aqui no Brasil são grandes e as negociações já estão em andamento.

Em sua página pessoal no Google+, Hugo Barra disse que conversou com políticos para trazer as operações da fabricante chinesa ao território nacional. O executivo se reuniu na residência oficial da Embaixada do Brasil em Pequim com o governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, e o embaixador do Brasil para a China, Valdemar Carneiro Leão, que anteriormente era Subsecretário-Geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty. "Começamos a falar em levar a Xiaomi à América Latina começando pelo Brasil. Obrigado a ambos pelo apoio!", comentou Barra.

Um dos motivos pelos quais Barra trocou o Google pela Xiaomi era justamente esse modelo de expansão de negócios fora da China. A estratégia foi colocada em prática em fevereiro, quando a empresa anunciou a venda de dois smartphones com Android em Cingapura. Um deles é o Redmi, um aparelho intermediário com processador quad-core de 1,5 GHz, tela HD de 4,2 polegadas, câmera de 8 megapixels, suporte a dois SIM cards e preço sugerido de US$ 133. O dispositivo roda uma versão modificada do sistema operacional do Google.

Assim como o Redmi, todos os smartphones da Xiaomi são vendidos em uma média de preço bem abaixo do valor de outros celulares. O Xiaomi Mi 3 é considerado o topo de linha mais recente, e possui um processador Snapdragon 800 quad-core de 2,3 GHz, 2 GB de memória RAM, tela IPS de 5 polegadas Full HD (1080p), câmera de 13 megapixels e bateria de 3.050 mAh. O produto desbloqueado, ou seja, sem contrato com operadoras, é vendido por 1.999 yuans (cerca de R$ 760). Há também uma versão de 64 GB que custa o equivalente a R$ 956.

Ok, é difícil admitir que aparelhos como estes cheguem ao Brasil com preços tão baixos, ainda mais levando em consideração o valor de outros dispositivos intermediários – o Moto X desbloqueado, por exemplo, custa R$ 1.499, valor bem abaixo de outros celulares, mas ainda assim muito superior ao preço do aparelho vendido nos Estados Unidos, que é de US$ 199 (aproximadamente R$ 420) sem vínculo com operadoras.

Contudo, a Xiaomi já oferece na China produtos mais baratos que os da concorrência. Por lá, o Galaxy S4 custa o equivalente a R$ 1.645, e o iPhone 5S sai por R$ 2.024, preços não muito diferentes aqui do Brasil. Como você viu, o Xiaomi Mi 3, que possui quase as mesmas especificações dos topos de linha da Samsung e Apple, é vendido pela metade do preço.

Em todo o caso, o fato da Xiaomi vir para o Brasil só mostra o quanto várias fabricantes estão de olho no país. "Nesta indústria, eu acredito que o mais importante é conseguir a admiração dos clientes", comentou o CEO Lei Jun em uma entrevista à Reuters, em dezembro de 2012. "Se você for popular, você consegue o sucesso", completou.

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