Galaxy Note II, funções de smartphone e tamanho de tablet

Por Pedro Cipoli

O Galaxy Note II praticamente fundou o segmento de phablets, modelos que não são nem tablet nem smartphone, mas agregam as funções de ambos. A série Note de produtos da Samsung possui características marcantes: um hardware bastante potente, a caneta S-Pen que é embutida em cada um deles, e não podemos deixar de lado a tela bastante grande, passando facilmente das 5 polegadas.

A Samsung costuma lançar um modelo Note alguns meses depois de lançar algum produto de sua linha Galaxy S, como aconteceu com o Galaxy Note original e o Galaxy S2 e o Galaxy Note II, que é uma versão grandalhona do Galaxy S3. Ele segue a mesma linha de design e praticamente o mesmo acabamento em um corpo de 5,5 polegadas. A resolução HD (1280x720) da tela utiliza a mesma tecnologia Super AMOLED HD do S3 mas tendendo mais para o "Glossy", com cores vivas e altamente saturadas.

Como toda a linha Note, temos os aplicativos exclusivos da Samsung dedicados ao uso do phablet com a S-Pen, em especial o app S Note utilizado tanto para fazer anotações como desenhos. Em nossos testes, a S-Pen do Note II conseguiu os mesmos resultados da utilizada no Galaxy Note 8.0 e possui um sensor de pressão bastante preciso, assim como várias opções de cores, espessuras e estilos (lápis, caneta, giz e pincel). É o suficiente para produzir desenhos bastante realísticos dependendo do talento do usuário (por aqui, o máximo de arte que conseguimos fazer foi um desenho não muito diferente do de uma criança de 5 anos de idade).

Colocando um pouco de lado os diferenciais da caneta Stylus, ainda temos um potente (e enorme) smartphone. O processador Exynos 4 quad-core de 1,6 GHz e 2 GB de memória RAM tornam o Note II um dos modelos mais poderosos que temos à disposição, perdendo apenas para a nova geração que desembarcou por aqui com chips mais modernos como o Snapdragon S4 (Sony Xperia ZQ) e o Snapdragon 600 (Galaxy S4 e HTC One). O único ponto que esperávamos mais é a GPU que continua sendo a Mali-400, que, embora não seja nada fraca, ainda perde para os modelos mais parrudos Adreno (série 200 e 300).

A vantagem de se carregar um modelo tão grande é a capacidade de suportar uma bateria maior, um ponto importante considerando o tamanho e resolução da tela e o processador bastante poderoso do Note II. Estamos falando de generosos 3100 mAh, que aqui no Brasil perde apenas para o Razr MAXX (3300 mAh) e é capaz de aguentar um dia e meio fora da tomada com tarefas moderadas e atender aos usuários avançados por um dia inteiro sem deixá-los preocupados em levar o carregador na mochila, algo bastante raro nos modelos de smartphones mais avançados.

Como é usar um smartphone tão grande?

Este é um ponto que aguça a curiosidade de muitos usuários. As 5,5 polegadas do Note II trazem sim algumas inconveniências, especialmente quando utilizamos calças, já que os bolsos são menores do que bermudas, e em muitas situações uma parte do gadget ficou "para fora". Mesmo que o coloquemos de lado, ele começa a incomodar para andar. Além disso, ao contrário do Galaxy S4, o Note II não possui nenhuma proteção que impeça a tela de encostar na mesa quando o colocamos de cabeça para baixo em qualquer superfície, o que pode se tornar um problema mesmo com a proteção Gorilla Glass.

Para quem pensa em ter um phablet como o Galaxy Note II, é bom levar essas inconveniências em consideração, afinal, estamos falando de um produto "dois-em-um", algo que atende aos usuários que querem um tablet e um smartphone no mesmo aparelho. Mas também temos que levar em conta o outro lado da moeda, já que muitos usuários da primeira geração do Note fizeram rapidamente a atualização para o Note II assim que ele foi lançado, pois se acostumaram a utilizar um aparelho de dimensões grandes e das vantagens que isso acaba por trazer, desde o consumo de conteúdo até utilizar aplicativos de produtividade. Está aí criado um terceiro produto para uma terceira "necessidade" do mundo moderno.

As câmeras também não são de se jogar fora, sendo basicamente as mesmas que encontramos no Galaxy S3: uma traseira de 8 megapixels capaz de gravar vídeos em Full HD (1080@30fps) com uma qualidade bastante aceitável e uma frontal de 1,9 megapixels que quebra um galho na hora de gravar vídeos em HD (720@30fps), utilizada principalmente em videoconferências por aplicativos VoIP como o Skype. Como dissemos no início da análise, um modelo Note, quando lançado, herda muitas das características do flagship da Samsung, no caso o Galaxy S3, e com as câmeras não é diferente.

Os recursos extras presentes são basicamente todos os importantes até a data de lançamento: NFC, DLNA, Bluetooth 4.0, GPS com A-GPS e GLONASS (que em nossos testes funcionou muito bem com uma tela de grandes proporções), Radio FM, MHL e WiFi com todos os padrões mais aceitos atualmente (b, g, n e inclusive o a, muito utilizado em roteadores Apple e com bastante velocidade na frequência de 5 GHz). Como conexão de dados temos somente o 3G – nada de 4G, já que na data de lançamento não havia uma demanda tão alta pelo novo padrão. A Samsung lançou um novo modelo chamado N7105 compatível com o 4G, mas não o encontramos disponível aqui no Brasil.

O aparelho já vem de fábrica com o Android 4.1.1 (Jelly Bean) e logo que o ligamos, ele atualiza para a versão 4.1.2, que somente corrige alguns bugs mais críticos. A versão mais recente, a 4.2.2 (Jelly Bean) que encontramos no Galaxy S4, não está disponível e não há nenhuma previsão de uma versão para o Note II até a data de fechamento desse artigo. Assim como o Galaxy S3 e S4, ele inclui o S Voice, o assistente pessoal da Samsung que funciona muito bem desde que o usuário fale tudo em inglês. Essa é uma falha enorme para um aparelho top de linha e a Samsung realmente não parece disposta a liberar uma versão do S Voice em português por aqui.

A embalagem segue o mesmo estilo do Galaxy S3, trazendo o mesmo tipo de fone de ouvido intraauricular, carregador de 10 watts (o normal é 5 watts) para o recurso QuickCharge (que carrega cerca de 80% da bateria em aproximadamente 1 hora) e cabo USB junto com os manuais e certificados de garantia.

Conclusão

O Galaxy Note II pode ser encontrado atualmente por cerca de R$ 1700 nas lojas brasileiras, sendo um preço bastante atraente para quem está procurando um phablet com configuração forte, marca confiável e vê benefícios imediatos na S-Pen. Porém, seu preço é apenas um pouco menor do que os lançamentos mais recentes do mercado, como o Sony Xperia ZQ e mesmo o Galaxy S4, de forma que os benefícios ficam praticamente restritos à tela maior e à caneta Stylus.

As vantagens e desvantagens de um phablet são muito dependentes do tipo de aparelho que o usuário espera, já que 5,5 polegadas é um tamanho grande mesmo nos dias atuais onde smartphones de 5 polegadas são considerados "normais". É importante ter em mente os desafios de se ter o Note II como smartphone e tablet, pois para alguns usuários ele pode acabar não sendo bom nem como um nem como outro.

Vantagens

  • Configuração forte e tela de qualidade
  • Caneta Stylus bem integrada ao sistema com aplicativos dedicados
  • Câmeras de excelente qualidade para fotos e vídeos casuais
  • Bateria com autonomia maior do que a maioria

Desvantagens

  • Com uma tela tão grande, o ideal seria ter bordas mais finas
  • A tela não possui nenhuma proteção quando o smartphone é colocado de cabeça para baixo, o que mesmo com a proteção Gorilla Glass pode acabar danificando o Note II com o passar do tempo
  • Por ser maior, a estrutura poderia ser mais resistente