Entenda todas as tecnologias dos smartphones - Parte 02 - Câmera e Wifi

Por Pedro Cipoli | 03 de Janeiro de 2014 às 19h03

Nesta segunda parte dos principais recursos disponíveis nos smartphones vamos conhecer um pouco mais sobre as tecnologias de Câmera e Wifi – e acreditem, há muito o que falar. Quem possui um smartphone mais avançado provavelmente está acostumado com a maioria das especificações, embora alguns sejam úteis apenas em algumas situações. Então, vamos fazer um overview das mais conhecidas e que podem ser fatores decisivos na compra de seu próximo smartphone.

Câmera

No final das contas, a qualidade da câmera fica por conta de uma combinação harmônica entre o sensor de luz e o tipo de lente utilizada. Em muitos casos a quantidade de megapixels pouco importa, fazendo com que modelos com 13 megapixels de resolução ou mais sejam mais marketing do que propriamente sinônimo de qualidade. Há algumas exceções, como é o caso do Lumia 1020, mas, novamente, o importante é o sensor PureView que é o grande diferencial, não os 41 megapixels.

De qualquer forma, smartphones e mesmo tablets com boas câmeras compartilham duas características: um bom conjunto de software e recursos extras que podem ser especialmente úteis em muitas situações, em especial para os usuários que estão acostumados a utilizá-los para todas as situações e não fazem questão de uma câmera à parte.

  • Gravação e foto simultânea: o nome é bem auto-explicativo, mas sua utilidade vai além de um recurso que ninguém vai utilizar, que é tirar uma foto separada durante a gravação do vídeo, geralmente não utilizando todos os megapixels da câmera. Isso elimina a necessidade de visualizar o vídeo para encontrar o frame desejado que, por utilizar compressão de vídeo, pode não resultar em uma foto com boa qualidade. Smartphones mais básicos não possuem esse recurso pois ele é não só dependente do sensor, que é mais caro, como também exige uma configuração mais parruda.
Foto e video
  • Detecção de faces: este recurso funciona reconhecendo os padrões do rosto, como olhos, nariz e boca. Até aí, nenhuma novidade, certo? Porém, a vantagem vai além do simples reconhecimento. Ao detectar o padrão, a câmera já se programa para focar nessa área da foto sem que o usuário precise focar manualmente. Smartphones mais avançados fazem uma coisa ainda mais legal: só tiram a foto quando todos estão de olhos abertos, recurso interessante para eliminar a necessidade de tirar várias fotos em sequência.
Detecção de faces
  • HDR (High Dinamic Range - Grande Alcance Dinâmico): em situações onde há uma grande variação de luminosidade, como em um pôr-do-sol, câmeras mais básicas costumam utilizar o ponto mais iluminado como referência (no caso, o Sol) e deixar o resto mais escuro, algo que acontece em situações de pouca luminosidade também. O HDR resolve isso adotando uma variação maior de tons como referência, geralmente interpolando a mesma imagem com vários níveis de exposições diferentes. Em ambientes fechados com iluminação uniforme ele é até dispensável, mas paisagens ficam bem melhores com HDR, recurso embutido no próprio sensor da câmera.
HDR
  • Estabilização de vídeo: esta costuma aparecer de forma abreviada como OIS (Optical Image Stabilization) e resolve o principal problema de tirar fotos com o smartphone: tremer a mão. Quando um fotógrafo tira uma foto com uma câmera profissional, geralmente a máquina fica sobre um tripé que garante a estabilidade, algo pouco provável em um smartphone, em especial em instant shots. O OIS basicamente estabiliza a imagem projetada no sensor antes de convertê-la para sua forma digital, trabalho feito no próprio sensor, no caso dos smartphones, como o UltraPixel (HTC One) e PureView (Nokia 808 e Lumia 1020).
OIS
  • Flash Xenon: podemos considerá-lo como uma evolução natural ao flash de LED duplo, presente em muitos modelos top de linha. As principais vantagens aqui são duas: a primeira é a maior distância alcançada – tipicamente 3 metros, o suficiente para iluminar uma sala pequena sem problemas. Em segundo lugar, a iluminação é mais "suave" e tende a ser menos granulada do que o flash LED, o que faz com que as fotos fiquem menos distorcidas mesmo de perto. Do outro lado da moeda há uma desvantagem que merece ser citada, que é o maior consumo de bateria durante o uso.
Flash Xenon

Wifi

Qualquer smartphone atual possui uma antena Wifi, mesmo os mais básicos e antigos. As velocidades podem variar bastante de um modelo para outro, assim como a qualidade do sinal, e mesmo com a evolução de nossas redes 3G e 4G, é difícil encontrar quem não faça questão de se conectar ao Wifi quando este está disponível. Vamos conhecer as principais tecnologias incorporadas às antenas Wifi:

  • Padrões: grande parte dos smartphones, mesmo os mais básicos, podem se conectar aos padrões B, G e N dos roteadores. Já os mais avançados se conectam ao padrão A, e temos um artigo dedicado a esses padrões, onde explicamos os detalhes de cada um deles. Os mais recentes e, claro, mais caros suportam ainda um quinto padrão, que é o AC, suportando velocidades que passam de 1 Gbps e está disponível apenas nos roteadores mais recentes, ideal para quem tem um tráfego intenso na rede local.
Wifi
  • Dual-band: resumindo de forma simples, o suporte recente a duas bandas significa apenas que o smartphone pode se conectar a redes de 2,4 GHz (padrão b/g/n/ac) e 5 GHz (padrão a). Alguns suportam os dois, mas não de forma simultânea, conectando-se ao padrão que oferece menos atrasos e mais performance. Os que suportam os dois padrões simultaneamente priorizam determinados tipos de tráfego no padrão que for mais recomendado de forma automática sem ter que estabelecer uma nova conexão, melhorando significativamente a performance em redes Wifi.
Dual-Band
  • DLNA (Digital Living Network Alliance): embora não se trate de uma tecnologia totalmente nova (chegou ao mercado em 2003), a sua ideia é muito legal. Em geral, nossos roteadores suportam uma capacidade de tráfego muito maior que o plano que contratamos, então por que não usá-la para fazer streaming local de dados? O DLNA permite que isso aconteça com pouca ou nenhuma configuração, tornando simples o processo de "jogar" um vídeo do seu smartphone para a televisão à la Tony Stark, desde que o smartphone e a TV suportem DLNA.
DLNA
  • Wifi Hotspot: recurso mais conhecido como tethering, é quando utilizamos o nosso smartphone como um "roteador Wifi", distribuindo internet de nosso plano 3G/4G. Essa é uma boa alternativa para quem está em um local sem internet e precisa trabalhar no laptop. Basta habilitar a rede, conectar o laptop ao smartphone através do Wifi (ou Bluetooth ou USB, este útimo carregando a bateria do smartphone simultaneamente) e começar a usar.
Wifi HotSpot
  • Wifi Direct: como o próprio nome diz, esse recurso permite a troca de arquivos entre dois smartphones sem roteador, algo parecido com conexões ad hoc ou ao Bluetooth. A vantagem? Bem, as velocidades são bem maiores, bom na hora de compartilhar um vídeo. Em alguns casos esse recurso tem um nome chique, como Android Beam (linha Nexus do Google) ou S Beam (Galaxy S3/S4/Note II e III), mas é a mesma tecnologia.
Wifi Direct

Nos próximos dias publicaremos a última parte deste artigo, onde abordaremos o NFC, sensores em geral e o infravermelho. Fique ligado!

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