Divergências entre executivos podem ter ajudado a afundar a BlackBerry

Por Redação | 30 de Setembro de 2013 às 14h24

A situação da BlackBerry parece se complicar mais a cada dia, e no final das contas a liderança da empresa pode ter sido sua pior inimiga. A fabricante de celulares sofria com embates em seu nível executivo, o que matou sua capacidade de competir no mercado de telefonia móvel e, consequentemente, levou à sua eventual queda. O jornal canadense The Globe and Mail foi quem realizou uma investigação para entender melhor o que acontecia nos bastidores da BlackBerry.

A empresa, que planeja cortar cerca de 40% do seu pessoal e vender-se para um grupo de investimento, anunciou na última sexta-feira (27) um prejuízo quase bilionário no balanço do segundo trimestre fiscal. A maior razão para a queda dramática foi atribuída ao BlackBerry Z10, que aparentemente não vendeu bem. O Z10 era a melhor arma do CEO Thorsten Heins para competir com os smartphones equipados com tela sensível ao toque vendidos pela Apple e Samsung. Porém, o jornal afirma que o dispositivo tinha um grande detrator: Michael Lazardis, cofundador da BlackBerry.

Durante uma reunião com a diretoria da empresa no ano passado para rever os planos de lançamento do novo dispositivo, Lazardis expressou frustração e preocupações com a nova direção que a empresa havia dado para seus aparelhos. Para ele, o abandono dos dispositivos que tornaram o BlackBerry popular entre clientes corporativos não era certo.

"As decisões que tomamos ao longo dos últimos dois anos foram feitas dentro do contexto de um mercado volátil, competitivo e em constante mudança – e sempre com o objetivo de oferecer a tecnologia vital que nossos clientes precisam", disse Heins, respondendo a perguntas sobre o lançamento do BlackBerry 10. Enquanto ele chamou o lançamento de "uma conquista significativa e que envolveu a reinvenção da nossa empresa", ele reconheceu que "não correspondeu às nossas expectativas".

A fabricante de celulares que já foi a predileta entre a elite empresarial foi ferida pela sua incapacidade de mover-se além do legado de seu sistema operacional e acabou engolida pelos iPhones da Apple e pelo sistema Android do Google. Depois de bater um recorde de quase US$ 145 por ação em 2008, os papéis da empresa perderam cerca de 94% do seu valor. Na semana passada, a companhia anunciou que tinha assinado um acordo para ser vendida por cerca de US$ 4,7 bilhões para a Fairfax Financial Holdings, sua maior acionista.

Meses antes do confronto do Z10 entre Heins e Lazardis, a dupla esteve em outra discussão, desta vez com Jim Balsillie, co-CEO da BlackBerry quando ela ainda era conhecida como Research In Motion (RIM). Balsillie defendeu uma estratégia para licenciar o BlackBerry Messenger (BBM), plataforma de mensagens instantâneas da empresa, para os concorrentes. Pouco tempo depois de ser nomeado presidente executivo da RIM no ano passado, Heins decidiu abandonar os planos de licença do BBM – com o apoio de Lazardis.

Como resultado da discórdia, Balsillie renunciou ao conselho e cortou seus laços com a empresa. "Minha razão para sair do conselho da RIM em março de 2012 aconteceu por conta da decisão da empresa de cancelar a estratégia multiplataforma do BBM", disse Balsillie durante uma breve declaração ao The Globe and Mail.

Todas essas divergências entre os executivos da empresa afetaram sua capacidade de desenvolver produtos da mesma forma que seus concorrentes faziam: de forma ágil e criativa. Tudo isso, sem dúvidas, contribuiu para a queda iminente de uma das maiores empresas de tecnologia do Canadá.

Instagram do Canaltech

Acompanhe nossos bastidores e fique por dentro das novidades que estão por vir no CT.