Celular leva mundo digital às massas

Por Colaborador externo | 27 de Fevereiro de 2013 às 16h14

* Por Gil Giardelli

O carro determinou a face do século passado. Em torno dele surgiram a poluição, as estradas, as longas viagens e as megalópoles. No início desse novo século é o celular o inventor de novos paradigmas, de um novo estilo de vida. Minúsculo, é bem verdade, mas você pode levá-lo para qualquer lugar. Não tem fronteira. As informações chegam a qualquer momento, de repente, não existem motivos para distancia, ficou tudo perto e fácil.

Os futurólogos e “doutores pardais” de plantão apostaram na última década que a convergência tecnológica seria entre a TV e o PC. Eles erraram feio, o celular é a convergência. É o celular, e não o computador, que promete levar o mundo digital às massas.

O celular já supera em importância e escala o fenômeno da Internet. É o produto mais importante do século 21 e, segundo pesquisas, o mais cobiçado no planeta. Somos seis bilhões de pessoas no mundo com uma maquininha na palma de sua mão. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (ITU), seis em cada sete pessoas no mundo possuem um celular.

Um novo estilo de vida surgiu, centenas de milhares de negócios estão sendo criados em todos os cantos do mundo, outros desaparecendo, muitos se transformando radicalmente. O celular é a divisão entre a era da produção em massa para a era da inovação em massa. Na era digital não se cria para pessoas e sim com as pessoas.

A maioria dos jornais criou áreas especiais para receber mensagens de texto, vídeos e fotos de notícias via celular. É a plateia tomando o palco, é o cidadão comum se tornando um repórter, um crítico, um articulista nas 24 horas do dia, 365 dias por ano.

Não podemos esquecer que o “Mobile Marketing” se tornou a ferramenta mais direta e eficaz de “Propaganda e Marketing” das últimas décadas. Podemos nos expressar e nos informar em questões de segundos. É a maneira mais fácil e prática de avisar alguém sobre qualquer coisa, utilizando apenas uma frase “Coma no Tio João” ou utilizando um vídeo digital. Não tem que olhar nenhum papel, não tem que ligar o computador, não tem que folhear uma revista. Tem só que olhar na tela do celular para ser avisado. Em menos de um minuto conversamos com o Brasil inteiro.

Como toda inovação tem seu lado negativo, o celular é também o ícone da sociedade imediatista e da cultura consumista, o celular nos traz excesso de informações e serviços. O celular quando utilizado como ferramenta de spam e sem critérios de privacidade tornará nossa vida infernal.

Isso nos faz refletir, se a quantidade de informação que recebemos nos deixará impotentes diante de nosso poder de síntese. Será difícil escolher entre os novos chocolates-integrais-com-frutas-da-Amazônia-sem-casca-com-vitaminas-e-fibras.

A sociedade imediatista e o aparelhinho celular derrubaram fronteiras e nos deram mais liberdade. Mas estamos saudosos quando antes só havia três marcas de carro, dois canais de televisão e uma só religião. É o Lusco-Fusco da sociedade digital.

* Gil Giardelli é autor do livro "Você é o que você compartilha" (Editora Gente), e especialista no Mundo.com, com quase duas décadas de experiência no universo digital.

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