Blackberry 10.2.1: uma luz no fim do túnel?

Por Pedro Cipoli

A BlackBerry controla tanto o software quanto o hardware de seus aparelhos, o que permite que eles recebam atualizações de forma mais rápida e com menos erros. No caso do BlackBerry 10, sistema que roda nos aparelhos Z10, Q10, Q5 e Z30, o sistema está atualmente na versão 10.2.1, que traz várias funcionalidades interessantes, sendo muitas delas incrementais, como as que observamos no Android 4.1 até o 4.4.

Não se trata de um sistema completamente novo, mas de recursos adicionados ao BlackBerry 10. O BlackBerry 10.1 não trouxe muitas novidades, sendo uma correção de bugs mais críticos e melhorias de performance do que propriamente uma versão nova. Isso não acontece com o BB 10.2.1. Embora tenha basicamente a mesma interface, algumas novidades fazem com que ele torne os aparelhos novos sérios concorrentes em um mundo dominado por Android, iOS e Windows Phone. Vamos conhecer algumas destas novidades.

Melhorias de performance e estabilidade

BB 10.2.1

Item rápido e previsível de qualquer atualização de software. Do aparelho mais poderoso da BlackBerry (Z30) até o mais simples (Q5), o desempenho geral do sistema é praticamente o mesmo, já que todos eles contam com processadores dual-core e 2 GB de memória RAM, configurações de sobra para rodar o BB 10.2.1, mas reparamos menos atrasos em transições de tela em relação à versão 10.1, e praticamente nenhum travamento, algo muito comum nos primeiros modelos com BB 10, em especial quando 4 aplicativos ou mais ficam abertos ao mesmo tempo.

Testamos o Z30 ao extremo, com transições rápidas entre 8 aplicativos abertos ao mesmo tempo e ele se saiu muito bem (uma situação que faz sentido somente em testes, diga-se de passagem). O único ponto em que não observamos melhorias e que é comum a todos os BlackBerries é o enorme tempo que os aparelhos demoram para ligar, muito mais do que qualquer outra plataforma. Como as pessoas em geral não costumam desligar seus aparelhos com frequência, essa característica passa despercebida, mas é algo importante de salientar.

Widgets (ok, vamos chamar assim)

BB 10.2.1

Nas versões 10 e 10.1 do BB, ao minimizar um app ele simplesmente ficava "congelado" em background. Agora alguns deles, os que possuem suporte, naturalmente, entram em um modo widget, ainda que de uma forma bastante simplificada, comparada ao nível de sofisticação dos widgets do Android. Alguns deles, como o app de clima, são especialmente úteis, já que basta desbloquear a tela para ver a previsão, sendo a segunda plataforma que permite esse tipo de recurso (embora, tecnicamente, os Live Titles do Windows Phone também funcionem como widgets).

Filtros customizados

BB 10.2.1

A versão 10.2.1 introduziu o Hub prioritário, utilizando um algoritmo que detecta os tipos de mensagens a que o usuário costuma dar mais atenção ou responde imediatamente e organiza em uma nova listagem cronológica. Depois de algum tempo, acreditamos que isso realmente facilite a vida do usuário de forma automática, mas é possível crirar filtros personalizados para otimizar esse processo (Hub prioritário - Menu - Configurações).

Melhor ainda: é possível atribuir gestos de pinça para cada conteúdo customizado dentro do Hub prioritário. Depois de algum tempo utilizando os novos BlackBerries, muitos usuários veem o Hub e seus atalhos associados como um dos recursos mais poderosos do sistema, sendo o seu principal diferencial. Com os filtros configurados corretamente e algum tempo para aprencer os gestos, essa ferramenta passa a fazer parte do dia a dia do usuário e permite uma organização de mensagens (de e-mails a atualizações do Facebook) muito mais eficiente.

1 milhão de aplicativos a mais

BB 10.2.1

Em um movimento já esperado por parte da BlackBerry, agora todos os aparelhos que rodam a versão 10.2.1 do BB suportam aplicativos do Android nativamente, desde que estes rodem na versão 4.2 Jelly Bean em diante. Basta instalar o .APK normalmente que o smartphone converte o arquivo automaticamente para o formato nativo .BAR, algo que faz sentido se considerarmos que os dois sistemas trabalham com Java em seus apps.

O desempenho do app não nos pareceu idêntico ao apresentado no Android em alguns casos, como o SketchBook Mobile 2.0.3, mas ele funcionou normalmente. Parece que esse recurso ainda não foi implementado completamente, sendo ainda uma versão de testes, já que não é possível acessar diretamente as lojas com apps do Android, como Play Store e Amazon Store, mas é um primeiro passo importante.

Conclusão

Com estes e outros recursos anunciados para a nova versão do BB 10, resta a pergunta: agora a BlackBerry está no mesmo patamar de seus concorrentes? Ela tem o que é necessário para competir com o Android, iOS e Windows Phone? São perguntas muito válidas para quem acompanha as notícias da empresa, que ora está à venda, ora não está e ainda possui pouca participação de mercado.

Algo inegável é a robustez do sistema da BlackBerry, algo que podemos comparar tranquilamente aos iPhones de última geração. A baixa quantidade de apps foi parcialmente resolvida com esse suporte aos aplicativos do Android, outro ponto bastante considerável, assim como o recente incremento no tamanho das baterias dos novos modelos Q5 e Z30, ambos capazes tranquilamente de sobreviver mais de um dia fora da tomada.

BB 10.2.1

Porém, um ponto ainda é problemático: o preço dos aparelhos. Ao contrário do iPhone, o BlackBerry ainda tem pouco tempo de mercado e um pequeno número de apps nativos, ainda mais considerando que a empresa não possui um tablet como o iPad para popularizar mais o seu SO (tem o Playbook, mas sem o BB 10). Talvez essa seja a intenção da empresa: reservar seus modelos ao público mais exigente, em especial o público corporativo.

Uma falha dessa abordagem é que muitos usuários não fazem questão de ter um smartphone que passe uma mensagem subliminar de trabalho 24 horas por dia. Querem apenas um smartphone que funcione bem e mantenha o dia a dia organizado (e de quebra traga um ou outro jogo bom para as horas de entretenimento). Se a BlackBerry perceber o potencial desse público e direcionar os preços de seus modelos de forma que eles se tornem acessíveis para essa proposta, provavelmente veremos muitas pessoas usando a plataforma no ônibus ou metrô.

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