BlackBerry quer entrar na Internet das Coisas

Por Redação | 22.05.2014 às 13:50

A BlackBerry pode não querer nada com o mundo das tecnologias vestíveis, mas o mesmo não pode ser dito da Internet das Coisas. A empresa anunciou o lançamento do Project Ion, que concentra uma série de iniciativas voltadas à conexão de sensores e dispositivos conectados a uma infraestrutura de cloud computing.

O diferencial da proposta oferecida pela fabricante em relação às outras é o foco na segurança. Como a companhia já possui larga experiência com celulares para setores empresariais, incluindo os governamentais, que exigem maior certificação e proteção, a ideia é que tais pretextos sejam aplicados também à Internet das Coisas, promovendo uma conectividade integrada e, ao mesmo tempo, segura.

Como conta o GigaOm, o Project Ion foi apresentado por Alec Saunders, vice-presidente de cloud computing da BlackBerry, durante o evento de tecnologia O’Reilly Solid, em São Francisco. O primeiro passo para a empresa é buscar desenvolvedores parceiros, que possam criar as tecnologias a serem embarcadas em carros, eletrodomésticos e qualquer tipo de equipamento que possa ser conectado e integrado.

A ideia é utilizar o software QNX, da própria BlackBerry, como parte da estrutura de seu projeto para a Internet das Coisas. A arquitetura está hospedada em serviços públicos não revelados pela empresa, com otimização maior para a escrita de dados do que para a leitura, um fator que a empresa considera inicial levando em conta o grande fluxo de informações que chegará ao mesmo tempo na nuvem como decorrência do projeto.

Sem medo de perder a humildade, Saunders afirma que o Project Ion está levando o cloud computing a novos horizontes. Observando as arquiteturas existentes, a BlackBerry fez alterações e introduziu novos sistemas, obtendo resultados que não poderiam ser possíveis antes, de forma segura e extremamente funcional.

O uso do QNX também tem uma razão de ser. O sistema já está disponível em carros, por exemplo, e os usuários e desenvolvedores já têm uma certa familiaridade com ele. Isso deve facilitar a criação de novas soluções ou a adaptação das já existentes para o projeto de computação nas nuvens, permitindo o lançamento de novidades e a correção de bugs de maneira mais rápida.

Apesar de afirmar ainda estar em busca de parceiros para desenvolvimento, Saunder já pôde anunciar pelo menos um aliado de peso para o Project Ion. A BlackBerry está trabalhando lado a lado com o Industrial Internet Consortium na empreitada, um grupo composto por empresas como Intel, Cisco, IBM e AT&T para fomentar avanços tecnológicos na área industrial. Além disso, a Application Developers Alliance, iniciada pela própria companhia, também está nesse barco.

Atuando em todos os campos

Saunders sabe que a companhia está pisando em um terreno já bastante habitado, com diversas empresas concorrentes já atuando há mais tempo no mercado da Internet das Coisas. Para o executivo, porém, a BlackBerry tem não apenas o diferencial da segurança, mas também o fato de estar trabalhando de ponta a ponta no projeto como grande fator para seu sucesso.

A confiabilidade dos clientes já é alta dentro do segmento corporativo, que assim como em sua oferta de celulares, é o grande ponto de partida da BlackBerry para o Project Ion. A segurança nas comunicações será garantida aqui da mesma forma que nas mensagens e ligações feitas pelos celulares, garantindo tranquilidade para quem escolher utilizar seus serviços.

Além disso, a empresa diz que vai usar de sua grande experiência no mercado de dispositivos, controlando o fluxo de dados desde a obtenção deles no cliente até sua chegada e organização na estrutura da nuvem. Tudo, claro, com a privacidade de sempre e sem que as informações sejam compartilhadas com ninguém para qualquer fim.

A BlackBerry pretende ainda dar controle total aos usuários sobre o que exatamente será enviado para a rede. Ele usou um carro como exemplo, citando que os clientes poderão selecionar, hipoteticamente, que a montadora receba informações apenas sobre o estado mecânico do veículo e seu consumo de gasolina. A ideia é que os dados sejam enviados apenas a quem realmente precisa deles, e da forma como o utilizador preferir.

O Project Ion ainda não tem uma data específica para entrar em operação comercial, mas parece ser mais um dos trunfos da BlackBerry para se recuperar dos problemas financeiros que tem passado. A empresa acumula resultados negativos consecutivos e, agora, luta para permanecer relevante no mercado e retornar a um patamar de lucratividade.