Apple estaria investindo pesado na produção de telas Sapphire

Por Redação | 15 de Agosto de 2014 às 13h35

O futuro dos smartphones, para a Apple, parece estar nas telas Sapphire. De acordo com informações publicadas pelo americano The Wall Street Journal, a empresa estaria investindo US$ 700 milhões na produção do material que, para ela, deve substituir o vidro bem em breve como o material padrão das telas sensíveis ao toque.

Em uma revolução que, para a empresa, é semelhante à introdução das próprias touchscreens como padrão do mercado, a companhia estaria esperando produzir, em uma única fábrica, o dobro do material fabricado hoje em todas as unidades que trabalham com o Sapphire Glass em todo o mundo. A usina da Apple foi aberta neste ano, no estado americano do Arizona, em parceria com a GT Advanced Technologies, que já tem tradição na fabricação de componentes de alta durabilidade.

O alto investimento é explicado pela dificuldade de criar o material, que tenta reproduzir, de forma sintética, o segundo componente mineral mais durável do mundo: a safira. O objetivo é criar uma tela que resista a praticamente tudo, não sendo arranhada nem quebrada com facilidade e aguentando até mesmo altas temperaturas e corrosão por produtos químicos.

Hoje, o Sapphire Glass já é utilizado em alguns segmentos da indústria, mas de forma extremamente controlada, devido a seu alto custo e dificuldade de fabricação. O material está presente, por exemplo, em janelas de aviões e veículos militares, ou, no máximo, como vidro de proteção nos relógios mais caros do mercado. Em ambos os casos, a resistência a condições extremas é algo essencial. Agora, a Apple pretende tornar o vidro um item de consumo.

De acordo com Eric Virey, analista da Yole Development, esse é o maior investimento da história já feito nesse tipo de material. O entusiasmo com a tecnologia tem a ver com os bons resultados já obtidos com o uso do Sapphire Glass, que hoje está presente na lente da câmera e também como proteção do sensor TouchID do iPhone 5s. Agora, a Maçã quer levar essa proteção ao aparelho como um todo.

Acima da safira, apenas o diamante resiste a mais impacto. E é justamente isso que explica a dificuldade e alto custo de se sintetizar esse tipo de material. Todas as ferramentas usadas precisam ser altamente especializadas e, para cortar os blocos brutos, precisam ser baseadas no mineral mais durável da Terra. Tudo custa muito caro, mas a Apple parece ter esse dinheiro todo e está disposta a investir com força na busca por mais um diferencial para seus futuros aparelhos.

Tanto que, de acordo com a GT, a unidade do Arizona está quase pronta para entrar no processo de fabricação em massa, que deve começar até o final de 2014. A unidade foi comprada em 2013 pela Apple por US$ 113 milhões. A empresa de tecnologia trabalha, agora, ao lado de uma das principais fabricantes de componentes para a produção do Sapphire Glass, que será uma exclusividade Apple.

De acordo com as estimativas de Virey, o custo por unidade das telas Sapphire deve ser de US$ 16, mais de cinco vezes maior que os US$ 3 gastos hoje com a fabricação de cada Gorilla Glass. Além disso, o analista aponta para os perigos de ter uma única usina trabalhando na tecnologia: caso algum problema aconteça, a falha pode resultar em uma falta de smartphones no mercado. Nesse caso, os consumidores não ficarão esperando, e sim, partirão para as ofertas da concorrência, mesmo que elas não possuam os displays super-resistentes.

Aumento no preço?

Os iPhones, hoje, já estão entre os produtos mais caros do mercado de smartphones, e o temor é que a utilização do Sapphire Glass aumente ainda mais esse valor. Mas não parece ser esse o caso, pelo menos de acordo com as previsões de analistas e fontes ligadas aos processos de fabricação. A ausência da tela reforçada no iPhone 6 já é dada como praticamente certa e ela deve aparecer, no máximo, no modelo com tela maior e, claro, valor mais alto.

Para a Apple, porém, o aumento de custo na produção dos celulares será compensado na outra ponta. Menos telas quebradas significam menos gastos com garantia. De acordo com o The Wall Street Journal, 11% dos usuários do iPhone possuem aparelhos com displays trincados, um processo de troca que é caro e nem sempre tem garantia de funcionamento perfeito. Para alguns analistas, porém, essa balança não fica equilibrada e, mesmo com essa economia, a Maçã pode acabar perdendo dinheiro se não aumentar seus preços.

As primeiras novidades oficiais sobre o assunto não devem demorar muito para vir. A Apple, tradicionalmente, se mantém quieta em relação a rumores, especulações e análises de mercado, mantendo o silêncio até o anúncio oficial de seus produtos. Ela deve realizar um evento em setembro quando, espera-se, serão anunciados os novos modelos de iPhone. E, quem sabe, também as informações sobre o uso em grande escala do Sapphire Glass.

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