Ações da BlackBerry sobem 3% após rumores de venda para a Lenovo

Por Redação | 21.10.2014 às 16:58

Os rumores de que a BlackBerry pode ser vendida para a Lenovo fizeram as ações da empresa canadense subirem mais de 3% nesta segunda-feira (20) no chamado after-hours trading, negociação após o fechamento do pregão da bolsa eletrônica. As informações são da agência de notícias Reuters.

Com base nessa porcentagem, cada ação da BlackBerry valeria US$ 10,45. Segundo o site chinês Benzinga, responsável pela publicação do rumor de que a companhia será vendida, a primeira oferta da Lenovo será de US$ 15 por ação, podendo chegar até cerca de US$ 18 por ação. As duas empresas disseram que não comentariam sobre boatos e especulações.

Nos últimos dois anos, foram muitos os rumores de que a BlackBerry seria comprada por outras gigantes do mundo da tecnologia, em especial no ano passado, quando a organização afirmou que estava explorando alternativas estratégicas. A Lenovo seria a principal interessada no negócio, uma vez que executivos sêniores da empresa, entre eles o diretor financeiro da Lenovo, Wong Wai, manifestaram interesse na entidade em diversos momentos. O objetivo seria reforçar a divisão de celulares da própria BlackBerry.

Fontes familiarizadas com o assunto disseram à Reuters que, em 2013, o governo canadense sugeriu que qualquer venda da empresa para a Lenovo não seria aprovada devido a questões de segurança. Redes seguras da BlackBerry gerenciam o tráfego de e-mail de milhares de grandes clientes corporativos, além de agências governamentais e militares em todo o mundo. Segundo a lei do Canadá, qualquer aquisição estrangeira da BlackBerry exirigia aprovações regulatórias do governo.

No ano anterior, o primeiro-ministro do país, Stephen Harper, disse querer que a BlackBerry crescesse "como empresa canadense". No fim de 2011, o então ministro da Indústria, Christian Paradis, referiu-se à companhia como "joia canadense". O próprio presidente da entidade, John Chen, já disse que a divisão de celulares ainda é fundamental para a empresa, ainda mais após o lançamento do Passport e a chegada do BlackBerry Classic, prevista para os próximos meses.

Analistas destacam que qualquer venda para a Lenovo iria enfrentar obstáculos regulatórios, com exceção dos negócios de fone de ouvido da BlackBerry, que poderiam obter aval do governo. Essa divisão tornou-se lucrativa antes de certos itens no último trimestre, após a empresa concluir seu programa de reestruturação de três anos.

Vale lembrar que a Lenovo já comprou a Motorola, que antes pertencia ao Google, e agora pretende lançar uma subsidiária na China com foco em smartphones. Dessa forma, não seria estranha a aquisição da BlackBerry, já que assim a companhia poderia administrar produtos voltados tanto para usuários comuns (no caso, o Android) quanto para consumidores do mercado corporativo (BlackBerry).