8 grandes mitos sobre smartphones

Por Joyce Macedo | 16.07.2015 às 10:15

Ao longo dos anos, as tecnologias foram reunindo uma série de mitos a sua volta. Nem mesmo o mais popular dos dispositivos, o smartphone, conseguiu se livrar de alguns “ensinamentos” que acabaram se tornando parte da cultura tech dos mais leigos.

Há mitos que envolvem hardware, software e até mesmo truques de uso que prometem fazer mágica com seu gadget. Se você não quer mais cair nessas armadilhas que, apesar de muitas vezes serem inofensivas, são basicamente inúteis, confira as explicações reais para alguns mitos que orbitam o mundo dos telefones móveis.

1. Quanto mais núcleos no processador, melhor o desempenho

“Um processador octa-core terá o dobro de desempenho de um quad-core”. Não é tão simples assim. Conforme já explicamos aqui no Canaltech, cada core é uma unidade de processamento separada capaz de lidar com tarefas independentes, mas aumentar a quantidade de núcleos traz somente uma parcela de aumento de desempenho, portanto a quantidade de núcleos presentes nos smartphones atuais ajuda a melhorar a função multitarefa, mas quase não faz diferença em aplicativos isolados.

Além disso, o fato do processador possuir o dobro de núcleos não é sinônimo do dobro de desempenho, afinal, o resto do equipamento ainda será o mesmo. Ou seja, os núcleos precisarão compartilhar os recursos do dispositivo, como bateria e memória. O desempenho só aumenta quando todo o sistema de hardware e software do aparelho está em equilíbrio.

Android quad-core

2. Fechar aplicativos acelera o seu iPhone

Apesar de tudo o que você já ouviu por aí a respeito desse assunto, saiba que fechar os aplicativos do seu iPhone não fará com que ele fique mais rápido. E tem mais: esse mito pode ser prejudicial, pois exigirá mais energia da bateria toda vez que precisar abrir novamente um aplicativo.

O que acontece, na verdade, é que os aplicativos que aparecem na lista de apps usados recentemente não estão rodando em segundo plano e sugando o poder de processamento do aparelho. Eles estão simplesmente armazenados na memória RAM do smartphone – e saiba que não há mal algum deixar a memória RAM cheia. Isso porque os sistemas operacionais modernos usam a memória RAM como um cache de arquivos para manter uma memória temporária e acelerar os processos. O iOS é inteligente o suficiente para remover automaticamente um aplicativo da memória se você deixar de usá-lo por um tempo e precisar de memória disponível para executar outra tarefa.

Além disso, os aplicativos podem continuar rodando em segundo plano (com recursos limitados) mesmo se você os retirar da lista de apps recentes. Se você quiser realmente controlar aquilo que roda em segundo plano, mude as permissões de execução no menu "Ajustes" do seu iPhone. Se não acha isso necessário, é melhor relaxar e deixar que o sistema operacional faça o gerenciamento do smartphone por conta própria.

Fechar apps iOS

3. Usar um aplicativo "task killer" vai acelerar o seu Android

Mentira – e ainda por cima isso pode ser prejudicial para o seu aparelho.

Os aplicativos do tipo task killer são queridinhos de muitos desenvolvedores e usuários, pois prometem encerrar imediatamente tarefas supostamente muito pesadas para o dispositivo. Embora populares, a verdade é que esses programas podem ser muito prejudiciais ao dispositivo. Porém, o task killer remove automaticamente os aplicativos guardados na memória RAM que estavam ali para acelerar seu carregamento quando você precisasse.

Conforme já explicamos aqui no Canaltech, o Android lida com a RAM de uma forma diferente dos PCs. A plataforma é projetada para rodar aplicativos de fácil e rápido acesso, em algo que já foi desenvolvido justamente para permanecer em estado semiativo, para receber notificações e apresentá-las ao usuário em tempo hábil. Quando o usuário utiliza um "task killer”, ele interrompe os processos que originalmente facilitariam sua vida.

Se você fica realmente incomodado com a presença de muitos arquivos no cache do seu Android, você pode utilizar aplicativos de limpeza de lixo de vez em quando (a cada dois meses, em média), pois usar "task killers" para esse fim pode prejudicar a performance geral do aparelho.

Task killer

4. Você deve esgotar completamente a bateria do seu smartphone antes de recarregá-la

A crescente dependência das pessoas por seus smartphones raramente permite que elas olhem tranquilamente a bateria do seu telefone zerar sem antes entrar em pânico ou recorrer até mesmo aos desconhecidos mais próximos para "dar uma carga". Mas, mesmo assim, algumas pessoas ainda ficam receosas ao carregar seu smartphone enquanto a bateria está em, por exemplo, 80% – pelo menos aquelas pessoas que ainda se lembram do tal "efeito memória" das baterias.

Esse mito surgiu na época em que as baterias de níquel-cádmio eram mais presentes nas tecnologias que sofriam com a "bateria viciada". Porém, esse tempo já ficou para trás e agora quem reina são as baterias de íons de lítio, que podem ser recarregadas a qualquer instante.

bateria celular

5. Você só deve usar o carregador de tomada que vem junto com o aparelho

Atualmente, boa parte dos dispositivos móveis utilizados no dia a dia que usam USB não precisa ser ligada a uma fonte de energia, já que a própria porta é capaz de fornecer eletricidade; além disso, o formato padrão ajuda muito na hora de carregar diferentes aparelhos.

Se um carregador USB puder fornecer a energia necessária para o carregamento do seu smartphone, ou de qualquer outro dispositivo que suporte o formato, ele poderá ser utilizado para esse fim. A exceção fica por conta de aparelhos que consomem maior quantidade de energia, como impressoras e alguns modelos de HDs externos, por exemplo.

Um detalhe interessante é que, assim como acontece com diversas outras tecnologias, o padrão USB passa por algumas mudanças em suas especificações ao longo do tempo e isso também inclui sua alimentação elétrica. O padrão USB 3.0, por exemplo, pode oferecer maior quantidade de energia: 900 miliamperes contra 500 miliamperes do USB 2.0.

E se você não acredita no potencial do USB, saiba que já existe até mesmo uma bateria portátil que aproveita a oportunidade de transferência de energia do novo padrão para carregar um notebook tão rápido como se ele estivesse conectado a uma tomada de parede.

iPhone 5S Gold

6. Você deve comprar uma película para proteger a tela do seu smartphone

As películas comuns são apenas uma fina folha de plástico que você cola na tela do seu gadget e acha que ele está super protegido. A realidade é que, apesar de oferecer uma pequena camada de proteção ao aparelho, ela simplesmente vai evitar que um dano que supostamente afetaria diretamente a tela seja depositado no plástico que está sobre o visor. Portanto, ela pode ajudar a evitar pequenos desastres do cotidiano, como quando colocamos o smartphone no mesmo bolso/bolsa em que carregamos nossas chaves, afinal, é mais barato trocar uma película do que o display do aparelho.

Mas é preciso lembrar que os smartphones mais modernos utilizam a tecnologia Gorilla Glass, ou similares, em suas telas exatamente para produzir vidros extremamente resistentes que podem sobreviver a pequenos arranhões. Mais importante ainda é que muitas coisas capazes de arranhar uma película não conseguem arranhar o Gorilla Glass.

Agora você se pergunta: "Mas e a película de vidro?". Esse item se tornou febre no Brasil, pois promete proteger a tela dos smartphones até mesmo em caso de quedas. Fato é que algumas empresas fabricam a película com vidro temperado e, apesar da promessa de telas "inquebráveis", o material base continua sendo simplesmente vidro. Sendo assim, esse recurso pode ajudar a proteger o display de pequenos danos, como riscos e sujeira, mas não será eficiente em todos os casos.

Película

7. Quanto mais megapixels, melhor a câmera do smartphone

Esse mito não se limita apenas às câmeras dos dispositivos móveis, mas sim a praticamente qualquer câmera digital disponível no mercado. Ele diz que quanto maior o número de pixels, melhor a câmera. Porém, na realidade, um megapixel significa apenas um milhão de pixels e o número de megapixels de uma câmera indica quantos pixels uma foto que você tira com ela irá conter.

Mas, afinal, o que é um pixel? O pixel é a menor unidade que forma uma imagem digital, logo podemos concluir que o conjunto de milhares de pixels (megapixels) formam a imagem inteira. Na verdade, a qualidade de uma foto será determinada, basicamente, pela quantidade de luz que o sensor da câmera é capaz de absorver.

Em poucas palavras, é o sensor que vai definir a qualidade da sua imagem final. Para efeito comparativo, vamos dizer que os sensores de câmeras digitais funcionam como os filmes de câmeras analógicas. Sendo assim, enfiar mais e mais pixels em sensores cada vez menores pode não ser uma boa ideia. Além disso, outras especificações, como a lente e o software de processamento de imagens, também são extremamente importantes para uma imagem de qualidade.

Megapixels

8. Smartphones Android pegam mais vírus

Tecnicamente falando, smartphones não podem "pegar vírus" – que são pedaços de softwares capazes de se autorreplicar e infectar outros programas. Mesmo se o seu telefone for infectado por algum software malicioso, ele não vai tentar infectar os aparelhos de outras pessoas. Atualmente, o tipo de ameaça mais comum para os smartphones são os malwares que visam roubar informações dos usuários.

A maioria dos malwares destinados a dispositivos Android vem de fora da Google Play. Se você costuma instalar apps apenas da loja oficial do Google, você não precisa arrancar os cabelos de preocupação – embora um antivírus seja sempre bem-vindo. Agora, se você vive baixando aplicativos de fontes totalmente suspeitas, é bom começar a se preocupar com a segurança dos seus dados.

Basicamente, o Android é um sistema operacional móvel mais vulnerável a malwares do que o iOS devido a essa opção de baixar apps de outras fontes externas. Qualquer pessoa pode colocar um aplicativo na Play Store, enquanto a App Store deixa esse privilégio reservado apenas para a própria Apple. Além disso, a falta de atualizações no Android também faz com que o OS fique mais vulnerável, uma vez que os updates trazem muitas correções de segurança.

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