Supergirl estreia hoje; saiba o que esperar da nova série

Por Redação | 26.10.2015 às 09:57

Enquanto a Marvel segue com seu universo compartilhado em seus filmes, a DC decidiu fazer algo um pouco diferente. É claro que ela tem planos de fazer algo semelhante nos cinemas, principalmente com a estreia de Batman vs Superman: A Origem da Justiça no início do ano que vem, mas os fãs da editora já possuem seu próprio mundinho para acompanhar na tela da TV a partir das várias séries inspiradas em seus heróis.

Depois de Arrow, Flash e Gotham, outro nome está prestes a se juntar a essa equipe. Estreia nos Estados Unidos nesta segunda-feira (26) o primeiro episódio de Supergirl, que mostra que Kal-el não foi o único sobrevivente de Krypton e que sua prima, Kara Zor-El, também vive na Terra salvando as pessoas com um uniforme azul e vermelho.

Por mais bobo que essa história possa soar, a chegada da heroína à tela da TV diz muito. Isso porque, em tempos em que a discussão sobre representatividade feminina está em alta e que as mulheres estão cada vez mais consumindo conteúdo de super-heróis — algo tido anteriormente como "coisa de menino" —, ter um programa estrelado por uma mulher é algo muito importante.

No entanto, antes de entrarmos nessa discussão: você conhece a Supergirl?

Quem é Kara?

Como todo personagem de quadrinhos, a Supergirl possui algumas décadas de história, várias reformulações e mudanças de conceito, o que torna complicado fazer um panorama mais geral de quem ela foi ao longo desses quase 60 anos desde sua criação. Ainda assim, algumas coisas permanecem imutáveis — e é isso o que vamos ver na série.

Como dito antes, a heroína é outra sobrevivente de Krypton. Segundo a trama, ela também foi enviada para a Terra para escapar da destruição do planeta e, aqui, segue um destino semelhante ao de seu primo mais famoso. Com um uniforme bastante parecido, poderes idênticos e até a mesma profissão, Kara Zor-El se torna a versão feminina do Superman em todos os aspectos.

Supergirl

Isso pode até soar algo um pouco cômico pela falta de criatividade, mas é preciso ter em mente que a criação da personagem segue o típico pensamento mais ingênuo das histórias das décadas de 50 e 60 — a chamada Era de Prata. Basta se lembrar que, na mesma época, os gibis do Batman haviam se tornado bem mais bobinhos.

Foi nesse contexto que várias versões femininas dos heróis clássicos foram criadas. E, enquanto algumas conseguiram evoluir e se tornar algo muito maior, como a Batwoman, a Supergirl sempre ficou um pouco à sombra do Superman e sem grandes histórias em seu cânone, sendo muito mais importante em participações do que em aventuras próprias.

Porém, se ela nunca teve grandes momentos nas HQs, fora dela a coisa é um pouco diferente. Seja pela força do S em seu peito, Kara Zor-El já chamou a atenção de outras mídias várias vezes e apareceu em filmes e séries em diversos momentos. Tanto que, em 1984, ela ganhou seu próprio filme e até apareceu em vários episódios de Smallville.

Por dentro da série

Embora o primeiro episódio de Supergirl vá ao ar somente nesta segunda-feira (26), ele não é nenhuma novidade para os fãs. Isso porque o piloto do programa vazou na internet já há algum tempo e, desde o último mês de maio, os fãs de quadrinhos puderam conferir o início dessa nova adaptação.

Supergirl

Em termos da história, a nova série é bem fiel àquilo que as HQs sempre nos mostraram em relação à origem de Kara. O que chama mesmo a atenção é que tudo isso dialoga muito bem com o próprio universo dos cinemas, o que mostra que a DC está mesmo interessada em seguir os passos da Marvel em criar histórias interligadas em que um evento tenha consequências em outro produto. No caso, os personagens citam o incidente em Metrópolis e fazem várias outras referências.

Tanto que uma das teorias dos fãs é que já há uma rápida citação à Supergirl em Homem de Aço. Em uma das cenas do filme, quando Clark chega à nave kryptoniana abandonada, uma das estações está aberta e não há qualquer explicação para isso. Desse modo, muita gente acredita que pode ser de onde Kara saiu.

Apesar de tudo isso, Supergirl não faz parte do universo cinematográfico da DC. Não que isso seja uma grande surpresa, já que nem mesmo Arrow e Flash possuem qualquer relação com os longas. Além disso, também não espere ver a moça aparecendo ao lado do Arqueiro Verde ou do próprio velocista escarlate. Isso porque, ao menos nos Estados Unidos, os programas são transmitidos em canais diferentes. Enquanto os rapazes dividem a grade horária da CW, Kara Zor-El fará sua estreia na CBS. Assim, um crossover é algo bem pouco provável — mas não impossível. E pode apostar: isso vai dar nó na cabeça de muita gente, principalmente porque todas essas séries vão passar aqui no Brasil na Warner.

Supergirl

De qualquer forma, Supergirl deve seguir aquela velha fórmula de seriados norte-americanos, ou seja, trazendo uma ameaça nova a cada semana enquanto constrói aos poucos uma ameaça maior para aquela temporada. No caso, veremos alguns vilões que caíram na Terra junto com Kara e que, após ela aparecer para o mundo como Supergirl, vão atrás da garota. Já no episódio piloto temos Vortax, um alienígena equipado com um poderoso machado que aparece para que possamos ver rapidamente a moça usando todos os seus poderes.

Além disso, a CBS já confirmou que outros inimigos dos quadrinhos vão aparecer, como Reactron, Tornado Vermelho, Curto-Circuito, Homem-Brinquedo, Livewire e Non.

A grande preocupação em torno disso, porém, é que Supergirl caia no mesmo erro de Smallville, que seguiu essa lógica de "inimigo da semana" e tentou inserir toda a mitologia do Superman em seus episódios. E, como uma série de TV não tem um orçamento muito grande, os efeitos meia-boca e a própria história duvidosa fizeram com que o programa virasse piada entre os fãs.

A importância da heroína de saia

Só que o que mais chama a atenção por aqui não é quem vai ser o grande vilão ou coisa parecida, mas a importância de termos essa história sendo contada. Com os super-heróis cada vez mais em alta, Supergirl tem a grandes chances de alcançar um público até então negligenciado: o feminino.

Supergirl

Basta você parar e olhar para todos os filmes e séries do gênero para reparar como todos são estrelados por homens e feitos para eles. Ainda que filmes como Vingadores e Guardiões da Galáxia tenham levado muitas mulheres ao cinema, nenhuma produção foi protagonizado por uma heroína e essa é uma ausência que está sendo sanada por aqui.

Por conta dessa mudança de foco, muita gente reclamou do tom que o trailer apresentou quando foi liberado no início do ano. Com uma música leve e uma pegada que lembrava muito o filme O Diabo Veste Prada, muitos usuários foram às redes sociais dizer que Supergirl seria um "Gossip Girl com poderes". O único "porém" é que a maioria dessas reclamações foi feita por homens.

Esse vem sendo o grande ponto de discussão sobre o futuro de Supergirl, já que muita gente parece se incomodar com o fato dela se preocupar com coisas que são comuns ao universo das mulheres. Só que muita gente se esquece de que a personagem é mulher.

Em entrevista à revista Variety, a produtora executiva da série, Ali Adler, disse que a ideia não é fazer um programa para o público de um ou outro gênero. Segundo ela, há um equilíbrio muito bom de homens e mulheres entre os roteiristas e isso faz com que o seriado não seja destinado a um único tipo de fã.

Supergirl

E isso fica bem claro já no trailer. Temos os momentos em que Kara cai na porrada contra vilões, faz suas acrobacias e dá boas doses de ação, mas também há cenas em que ela precisa lidar com o universo feminino. Além disso, por mais que essa questão tenha ficado um pouco estereotipada, com um foco bem grande na roupa a ser usada ou com a preocupação com encontros, é preciso ter em mente também que o público médio de séries nos Estados Unidos é bem jovem e a CBS precisa apelar para alguns clichês para tentar criar uma identificação.

Ainda assim, é muito importante ver que uma personagem como a Supergirl está ganhando essa importância e mostrando que uma heroína também pode ter seu lugar ao sol — e sem precisar ser sombrio e masculinizado. Ela aparece de saia, com uma trilha sonora bem leve e divertida e prova que uma mulher não precisa usar couro preto para sair dando porrada em vilão.

Talvez o momento que melhor traduz o que é essa série está em um dos diálogos mais geniais de seu trailer. Quando o nome da heroína é apresentado na TV, Kara vai questionar sua chefe o porquê de "Supergirl" ao invés de "Superwoman". E a resposta é um belo tapa na cara de todo mundo que se incomodou com esses elementos femininos. "O que há de errado com girl? Eu sou uma garota. E sua chefe, poderosa, rica, gostosa e inteligente. Então, se você não gostou de Supergirl, será que o problema não é você?".

Em tempos em que a discussão sobre a presença e o empoderamento das mulheres está cada vez mais em voga, termos uma Supergirl com esse tipo de discurso na TV é uma vitória e tanto. Afinal, no mundo dos heróis, há espaço para todos e que essas discussões continuem sempre assim, para o alto e avante.