Stranger Things, nova série do Netflix, é uma carta de amor aos anos 80

Por Gustavo Rodrigues | 15 de Julho de 2016 às 17h50

Stranger Things apresenta em seus 8 episódios uma história repleta de características que você já viu antes, especificamente nos anos 80, e é através dessa abordagem oitentista que os Irmãos Ross e Matt Duffer (que chamaram a atenção no ano passado com o nervossíssimo thriller indie Hidden) dirigem a trama. A primeira temporada trabalha vários elementos de suspense e ficção científica que dificilmente são elaborados nas produções atuais, mas o que realmente impressiona são as atuações dos novos atores, principalmente os mais jovens.

Na trama, o garoto Will (Noah Schnapp) desaparece quando estava no meio do caminho para sua casa. A partir daí, o xerife Hopper (David Harbour) começa a investigar o sumiço do menino e ligar fatos que podem levá-lo a um problema muito maior. Enquanto isso, os amigos de Will começam a procurar pelo companheiro, mas acabam encontrando uma jovem misteriosa.

A série não se passa apenas nos anos 80, ela é também uma homenagem a essa década. Desde a abertura inicial há o clima oitentista, seja na trilha sonora, na fonte usada para os créditos ou no logo da produção. A ambientação é muito bem construída com várias referências à época, como os pôsteres de Tubarão e Enigma de Outro Mundo, os episódios de He-Man na televisão ou na famosa "Should I Stay or Should I Go", da banda de The Clash.

Apesar de ter Winona Ryder como o principal nome do elenco, não é a atuação dela que mais chama atenção, apesar de entregar uma ótima interpretação para Joyce, mãe do garoto perdido. São os atores mais jovens que dão ritmo à drama e que criam um lado mais carismático com o telespectador, principalmente pela semelhança do vínculo amistoso que há entre eles se comparado com o clássico Goonies.

Dividido em um grupo de crianças e de adolescentes, os novos atores transformam seus personagens com facilidade com o que o roteiro pede. Finn Wolfhard, Gaten Matarazzo e Caleb McLaughlin interpretam os jovens Mike, Dustin e Lucas, respectivamente, em busca de Will. A maioria dos momentos com o trio é cheio de referências a nerdices, como RPGs de mesa e o livro O Hobbit, os colocando como os alunos que sofriam bullying no colégio. Junto ao trio, Millie Bobby Brown dá vida à misteriosa Onze, que alterna seus sentimentos em diversos momentos, exigindo bastante da atriz. Entre os mais velhos, Natalia Dyer e Charlie Heaton evoluem seus papéis como Nancy e Jonathan no decorrer dos episódios,

Stranger Things

O maior problema da série são os efeitos visuais fracos. Em várias circunstâncias fica visível que eles poderiam ter sido muito mais aprimorados, principalmente quando é necessário elementos complexos, como um incêndio premeditado ou em quase todas as cenas que envolvem o vilão, assim o tornando um vulto, algo que passa sem uma forma precisa na frente da câmera.

Stranger Things não enrola o telespectador criando situações desnecessárias para a trama, por assim entregando uma história redonda, com poucos furos de roteiro e envolvente em seus oito episódios, mostrando que há muito a se trabalhar com este tipo de enredo, o que já garantiu a segunda temporada da série pela Netflix. Se você viveu os anos 80 ou gosta da cultura pop dessa década, são praticamente 8 horas de prazer e nostalgia.