'Preacher' é pura insanidade em seu primeiro episódio

Por Gustavo Rodrigues | 24.05.2016 às 18:44 - atualizado em 25.05.2016 às 17:04

Preacher é a aclamada HQ criada por Garth Ennis e Steve Dillon que foi publicada pela linha Vertigo de 1995 a 2000. Durante muitos anos, os direitos de transformá-la em uma adaptação audiovisual foi de uma empresa a outra, mas sem sucesso algum. Nas mãos do canal AMC, que desfruta do enorme sucesso de The Walking Dead, Seth Rogen e Evan Goldberg conseguiram tirar do papel as histórias de Jesse Custer e levar para a televisão a jornada do "pregador". Avaliando o que o primeiro episódio apresentou, parte da insanidade dos gibis vai para a TV da melhor maneira possível.

Na trama da série, Jesse Custer (Dominic Cooper) é um pastor em Annville, uma pequena cidade do Texas. Este é o local de origem dele e para onde voltou após um fato sombrio do seu passado. Entretanto, ele é um péssimo pregador e sabe muito bem disso. Enquanto isso, uma entidade sobrenatural começa a se manifestar em diversos tipos de religiosos ao redor do globo, causando vários fenômenos desconhecidos por onde passa, inclusive na igreja de Jesse.

Cara-de-Cu

Poucas HQs são tão absurdas quanto Preacher e isso torna muito mais difícil que a série seja realmente fiel ao material original. Entretanto, o primeiro episódio da série, transmitido pela AMC no último domingo, é pura insanidade. Há explosões de sangue, fraturas expostas, o visual repugnante do jovem conhecido nos gibis como Cara-de-Cu (Ian Colletti), piadas escatológicas bem utilizadas e o contexto religioso que a obra original carrega. Durante a apresentação de Tulipa (Ruth Negga) e Cassidy (Joseph Gilgun) as cenas de ação mantém a loucura, rendendo momentos badass de ambos os personagens.

Parte do sucesso desse primeiro episódio fica pela ótima apresentação que temos de Jesse, Tulipa e Cassidy. Dominic Cooper mistura a dualidade que há na personalidade do protagonista, principalmente ressaltada nos diálogos cheios de conselhos e nas expressões do ator em seus momentos de "quebra de conduta". Ruth Negga foi bastante elogiada em Cannes pela participação no filme Loving, o que mostra a evolução da atriz depois de atuar em Agents of S.H.I.E.L.D. e também fazer parte do elenco de Warcraft. Com uma entrada cheia de ação ao mostrar o quão forte é a principal mulher da série, a artista dá um sotaque texano à Tulipa sem perder em nada a entonação, principalmente em seu excelente diálogo com duas crianças locais. Joseph Gilgun é mais do que um alívio cômico no papel do vampiro irlandês alcoólatra Cassidy, ele é uma entrada fácil na insanidade que existe na trama de Preacher, ainda mais quando não precisa fingir ser uma pessoa comum.

Um dos grandes acertos do piloto é instigar o telespectador com situações inusitadas, como a construção de uma arma caseira com a ajuda de crianças ou a forma que o vampiro consegue se recuperar da morte. O episódio não faz explicações de várias situações. O que seria aquela força sobrenatural? Com quem Cassidy conversa ao telefone? O que seria o passado sombrio de Jesse? Quem são os dois homens que chegam à Annville? O que significa a grande confissão do capítulo? Para quem não conhece a trama de Preacher, muitas indagações precisam ser respondidas. Aos fãs, é apenas o começo de um história fantástica

Com um piloto envolvente, Seth Rogen e Evan Goldberg não levam Preacher ao pé da letra para a televisão em seu primeiro episódio, mas entregam algo que dá bastante esperança do que está por vir na jornada de Jesse Custer na adaptação da AMC, principalmente por apresentar um pouco da insanidade que Garth Ennis criou nos quadrinhos. Infelizmente, o segundo episódio só vai ao ar em 6 de junho nos Estados Unidos, enquanto não há sinal de que a série seja transmitida em terras tupiniquins.