Demolidor supera expectativas na segunda temporada

Por Gustavo Rodrigues

Demolidor fez enorme sucesso em sua primeira temporada ao conseguir ter suas histórias recriadas com qualidade nas mãos da Netflix, produção de abertura envolvendo a empresa de streaming e Marvel. O nível foi mantido em Jessica Jones. Surpreendentemente, os sete episódios iniciais do ano dois da série do Homem Sem Medo são ainda melhores tanto em construção narrativa quanto em estética.

Assim como nas propagandas do retorno à Hell's Kitchen, Justiceiro (Jon Bernthal) e Elektra (Elodie Yung) são os grandes destaques dos primeiros episódios. A atuação do ator para o vigilante que busca vingança é impecável. Ele entende a essência perturbada do personagem e a transmite em cenas de luta cheias de movimentos impetuosos, olhares fulminantes e entonação convincente pela forma que Frank Castle enxerga o mundo.

Menos fiel aos quadrinhos do que o Justiceiro, a Elektra Natchios da série ainda é uma inclusão excelente à trama. Além de ser uma personagem feminina forte, ela é um elemento importante para conhecermos um pouco mais do passado de Matt Murdock (Charlie Cox). Perigosa ao demonstrar suas habilidades de combate e afiadíssima em seus diálogos, a assassina ninja foge do figurino dos quadrinhos, mas mantém o vermelho em suas vestimentas. A atriz entrega uma versão digna à femme fatale criada por Frank Miller nos anos 80.

Yung_Elektra

Mesmo que os novos rostos chamem bastante atenção, os coadjuvantes Foggy Nelson (Elden Henson) e Karen Page (Deborah Ann Woll) ganham ainda mais espaço, assim tendo um desenvolvimento melhor de suas personalidades. Até mesmo Melvin Potter (Matt Gerald), que garante uma ótima referência aos quadrinhos, e o sargento Brett Mahoney (Royce Johnson) ganham momentos importantes na trama. Afinal, não há mais motivos para vermos muitos flashbacks que contextualizem situações, assim não limitando a construção narrativa.

Além de trabalhar melhor com os personagens coadjuvantes, roteiro e direção estão alinhados com as atuações do elenco. A amizade entre Matt e Foggy é ainda mais forte e crível; o conflito de ideais de Demolidor e Justiceiro são mais do que golpes precisos, já que os diálogos entre os dois são tão fortes quanto qualquer soco trocado entre eles; e a atração que Elektra ainda gera ao advogado cego é instigante. Todos os envolvimentos entre os personagens mais importantes não soam forçadas para que a história funcione, seja nos momentos felizes ou dramáticos.

Matt e Karen

Assim como no ano um, as cenas de ação continuam de tirar o fôlego. Demolidor, Justiceiro e Elektra possuem formas de luta completamente diferentes, algo que fica ainda mais evidente quando estão em combate com os criminosos de Hell's Kitchen. Seus movimentos se diferenciam tanto em estilo quanto em desejo de ferir o alvo. As cenas continuam sendo bem executadas e há uma bela tomada que lembra o corredor amarelo do resgate ao garoto da primeira temporada – cor que tanto simboliza a caracterização do bairro de Nova Iorque na produção.

Não dá pra confirmar que metade desta temporada já é superior a primeira, mas é evidente um melhor desenvolvimento de trama e elenco, manutenção dos aspectos visuais e de direção que já haviam sido bons, além de apresentarem a melhor versão de Justiceiro e Elektra fora das HQs, algo que a Marvel já havia falhado miseravelmente.

*Depois do lançamento oficial da segunda temporada de Demolidor pela Netflix, no dia 18 de março, publicaremos a crítica completa.

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.