Crítica - Sexta temporada de The Walking Dead

Por Gustavo Rodrigues | 04 de Abril de 2016 às 13h03

A sexta temporada de The Walking Dead tinha um peso gigantesco nas costas da produção: introduzir personagens novos relevantes para as próximas temporadas e recriar o momento mais impactante dos quadrinhos, a chegada do vilão Negan (Jeffrey Dean Morgan). Entretanto, o showrunner Scott Gimple apostou em ganchos fracos durante vários episódios, tornando a narrativa da série falha em pontos cruciais.

SPOILER ALERT: O texto abaixo contém spoilers da sexta temporada de The Walking Dead, por isso continue por sua conta em risco.

A trama do ano seis mostra como Rick (Andrew Lincoln) torna-se o grande líder da comunidade Alexandria e precisa proteger o seu povo dos perigos que existem pela redondeza, sejam zumbis ou humanos. Os moradores precisam aprender a se defender e viver como um grupo, enquanto os Lobos e os Salvadores começam a se tornar ameaças ainda mais perigosas.

Assim como todas as temporadas, a sexta teve um ótimo começo, principalmente com uma narrativa diferente no seu primeiro episódio. Utilizando o simples recurso de tornar preto e branco os eventos do passado, a dinâmica do grupo para conter um grande número de zumbis mostrou a evolução tática dos personagens, principalmente os que já moravam em Alexandria e precisavam aprender a se defender. Algo que foi realçado no segundo episódio, quando os Lobos atacaram os sobreviventes, mostrando Carol (Melissa McBride) em ação e em confronto de ideais com o pacifista Morgan (Lennie James), enquanto os residentes antigos da comunidade mostram fragilidade. Este início mostra tanto boas cenas de confronto dos "personagens principais" quanto a carga dramática que o ano da produção carrega.

Glenn TWD

Entretanto, a partir o terceiro episódio a série falha miseravelmente quando tenta criar o suspense da morte de Glenn (Steven Yeun). Além da cena ser muito mal executada e escrita, ela é um gancho preguiçoso e sem graça que a produção utiliza para manter os fãs presos à série, mesmo que cenas de gravação vazadas mostrassem o personagem em situações futuras da trama. Apesar dele ser um dos principais nomes entre os sobreviventes, brincar com a "imortalidade" dele só serviu para atiçar quem conhece as HQs e tinha conhecimento da chegada de Negan para o sexto ano.

A segunda metade da temporada conseguiu voltar com pontos altos, principalmente ao adaptar com perfeição a morte de Jessie Anderson (Alexandra Breckenridge) e seus filhos, momento que culminou na perda do olho direito de Carl (Chandler Riggs). Estes são os momentos de maior impacto pós-hiato, tanto por retratar com quase 100% de fidelidade a obra original quanto pela ótima execução da cena, dirigida pelo ótimo Greg Nicotero.

Antes de ir para os pontos de grande tensão, a série apresenta o personagem Jesus (Tom Payne) no episódio mais divertido de toda a série. Mesmo que ele tenha seu lado "badass" apresentado no confronto contra Rick e Daryl (Norman Reedus), o tom descontraído é o que predomina na narrativa.

Depois disso, a tensão toma conta da produção ao colocar os sobreviventes caçando os Salvadores, após uma negociação com a Colônia Hilltop. O terror psicológico que se estabelece ao colocar os moradores de Alexandria assassinando os vilões mostra que não há uma distinção muito clara de quem é bom ou ruim nesse ponto do apocalipse. Isso consome e modifica a melhor personagem da série, Carol, que tem uma mudança abrupta em suas atitudes.

Negan

O pecado da Season Finale

Nenhuma Season Finale de The Walking Dead foi um reflexo tão grande do que a série apresentou durante todos os seus episódios, exceto essa. Com o clima de tensão crescente muito bem construído pelas emboscadas dos Salvadores e a boa atuação de Andrew Lincoln ao mostrar um Rick impotente, o episódio encontra seu ápice ao introduzir o vilanesco Negan. Jeffrey Dean Morgan aterroriza os sobreviventes com um sorriso de satisfação incrível e um olhar fulminante, mas fica devendo os milhares de palavrões que o personagem tanto diz nos quadrinhos.

Entretanto, o grande problema é não mostrar quem Lucille, o taco de beisebol com arrame farpado, destrói no final do episódio. A chegada de Negan era tão esperada porque supostamente ele mataria um sobrevivente importante, mas ela foi minimizada por um péssimo cliffhanger para a sétima temporada. As perguntas que ficam são: como a AMC vai conseguir esconder quem foi morto pelo Negan? Como a produção vai criar vídeos promocionais sem estragar a surpresa?

A sexta temporada de The Walking Dead é o exemplo mais claro de uma narrativa cheia de altos e baixos. Conseguiu introduzir personagens grandes como Negan, Jesus e Dwight (Austin Amelio), adaptou muito bem trechos da HQ e apresentou novos conceitos, como a relação amorosa entre Rick e Michonne (Danai Gurira), mas tem como grande marca a falha por abusar de ganchos de péssima qualidade, ainda mais ao tirar todo o impacto que deveria do episódio mais importante da série.

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