Audiência no primeiro mês é crucial para sobrevivência de séries da Netflix

Por Felipe Demartini | 14 de Junho de 2018 às 10h01
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Aquele seu amigo que abandonou pela metade uma série indicada por você tem mais culpa por um eventual cancelamento do que aquele outro que jamais levou suas indicações a sério. Quem revelou essa informação foi Ted Sarandos, CEO da Netflix, falando sobre as métricas e filosofias relacionadas à audiência que motivam a renovação ou cancelamento de shows da companhia.

Em entrevista ao site Vulture, ele apontou um funcionamento um tanto diferente daquele que muita gente imagina. Os números de visualização nos primeiros 28 dias após a estreia, por exemplo, são mais importantes do que a audiência do primeiro final de semana já que, aponta Sarandos, são poucas as pessoas que conseguem, efetivamente, conferir as estreias. Visualizações recorrentes também contam mais do que maratonas intensas, em que uma temporada inteira é vista em dois dias, por exemplo.

Basicamente, o que a Netflix preza é a fidelidade. Séries largadas pela metade, por exemplo, têm mais chances de serem canceladas do que aquelas que têm baixos números de visualizações, afinal de contas o abandono é um sinal de que o conteúdo interessou, mas não agradou. O algoritmo faz questão de garantir que esse fator não seja um “esquecimento”, com os títulos aparecendo constantemente nas telas dos usuários, que, caso não retornem a eles, mostram sua falta de apreciação pelo conteúdo. O mesmo também vale para capítulos em si – aqueles que os usuários demoram mais para terminar, com diversas pausas, são considerados abaixo da qualidade esperada.

Apesar de esse tipo de métrica ser não-oficial, e aplicada junto a diversos outros fatores que também resultam na sobrevivência ou fim de um show, Sarandos cita dois exemplos em que essa dinâmica foi fundamental. Um caso foi One Day At a Time, série sobre a imigração cubana para os Estados Unidos, que ganhou corpo depois que a produtora, Gloria Kellett, foi ao Twitter pedir que os assinantes assistissem a pelo menos quatro episódios, uma vez que se aproximava o fim do prazo de 28 dias. Deu certo e o seriado foi renovado para uma terceira temporada.

O contrário, entretanto, aconteceu com Everything Sucks!. O seriado teve boa performance na crítica e seu cancelamento desagradou a muitos fãs, que também demonstraram seu desapontamento pelas redes sociais. Para Sarandos, entretanto, os números mostram que muita gente começou o seriado e jamais o terminou, um indicativo de que a maioria do público não curtiu o show. O fim veio com apenas uma temporada em exibição.

Outro ponto que conta bastante para essa dinâmica, chamada por Sarandos de “taxa de sobrevivência”, é a primeira série assistida por alguém que acabou de se tornar assinante. O entendimento é que, muito provavelmente, aquele título foi um dos fatores de interesse do novo membro do serviço e, sendo assim, pode se tornar um chamariz importante para outros, aumentando suas chances de permanência no serviço, renovação e, também, aparição nas sugestões a outros utilizadores.

Aqui também entram em jogo outros fatores como a penetração de uma produção em um nicho, por exemplo. Não é nada desejável uma situação em que os números de uma série estão diretamente relacionados apenas a uma determinada faixa etária ou grupo de interesse, pois se tratar de uma demonstração de que o show não foi abrangente o bastante. A Netflix evita falar em segmentação de seu público, mas já deixou claro diversas vezes que não existe um determinado grupo ou fatia que é soberana sobre todas as outras quando o assunto é sua base de assinantes.

E, ao contrário do que poderia se pensar, avaliações do público também contam bastante. O CEO da Netflix apontou o fato de que, entre 2016 e 2017, das 30 produções mais bem-avaliadas no site IMDb, que reúne elencos e fichas de produção de séries e filmes de todo o mundo, 14 eram da Netflix. Esse fator, junto a outros agregadores como Rotten Tomatoes e Metacritic, onde as notas são dadas por qualquer usuário e gente, muitas vezes, de longe da indústria do entretenimento, também conta bastante para a avaliação da qualidade de um show.

Então, da próxima vez que for indicar uma série para os amigos ou lutar pela sobrevivência de um show nas redes sociais, saiba: faça isso no primeiro mês e garanta que os conhecidos assistam a, pelo menos, quatro episódios antes de desistirem. Não encare nada disso como uma maneira de “burlar” o mecanismo, já que, como dito, ele não funciona baseado apenas nisso, mas sim como uma forma de demonstrar à Netflix o interesse em uma produção da maneira como ela deseja que seus usuários a assistam.

Fonte: Vulture, Notícias da TV

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