Após revelar nova série, Netflix é criticada por glamourizar abuso infantil

Por Redação | 12 de Janeiro de 2018 às 12h44
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A Netflix está sendo acusada por uma organização não-governamental de normalizar o abuso infantil após o anúncio de sua nova série original, chamada Baby. O show, que começa a ser produzido ainda neste ano, conta a história de adolescentes ricas que se prostituíram para comprar roupas de marca e celulares de topo de linha.

Na carta aberta divulgada pelo National Center on Sexual Exploitation, ONG formada por sobreviventes de abuso sexual infantil, a Netflix é acusada de agir com duplo padrão: a empresa demitiu Kevin Spacey, astro da série original House of Cards, após as acusações de abuso infantil feitas contra ele, mas, ao mesmo tempo, encomendou uma série que deve glamourizar a situação junto a seus espectadores.

O texto é assinado por 56 vítimas de crime desse tipo, além de psicólogos, advogados e outros especialistas que fazem parte da organização. A carta pede o cancelamento de Baby e uma mudança de postura por parte da Netflix, que estaria prestando um desserviço ao anunciar a atração, deixando de lado sua responsabilidade social em prol de proporcionar um “entretenimento mordaz”, lucrando com os temas relacionados à exploração sexual.

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Para a organização, isso se deve ao fato de, pelo menos em sua ideia inicial, a série perpetuar dois mitos extremamente perigosos e que servem para corroborar atos de abuso infantil. O primeiro é o que diferencia prostituição adolescente do tráfico sexual, uma vez que, de acordo com as convenções da ONU, menores de 18 anos não são capazes de dar consentimento pleno em relação à própria exploração de seus corpos.

A segunda, ainda mais evidente, é a ideia de que a prostituição é uma atividade glamourosa e cheia de riscos, mas também capaz de gerar grandes ganhos. A realidade, para a organização, é bem diferente, envolvendo atos de violência e abuso psicológico, sendo vista também como gatilho para doenças mentais como depressão, ansiedade e outros.

Fatos reais

Baby será baseada no que ficou conhecido como o Baby Squillo Scandal, revelado pela imprensa italiana em 2014. Na ocasião, foi descoberta a existência de um cartel de prostituição infantil composto por garotas entre 14 e 15 anos de idade, que vendiam seus corpos por centenas ou milhares de euros para adquirirem bens de consumo. Todas faziam parte de famílias endinheiradas do distrito de Parioli, em Roma, uma das áreas mais elegantes da capital da Itália.

O escândalo levou à prisão de executivos de alto escalão do país, políticos e celebridades, o que incluiu até mesmo o marido de Alessandra Mussolini, neta de Benito Mussolini. Mais de 30 pessoas foram investigadas como clientes do esquema de prostituição infantil, enquanto seus oito organizadores foram presos e sentenciados a até 10 anos de prisão cada.

Por enquanto, a Netflix não se pronunciou sobre o assunto. Baby deve ser a segunda série original italiana da empresa, roteirizada por um grupo de jovens escritores do país e produzida por companhias locais. O elenco e a data de início das gravações, entretanto, ainda não foram divulgadas.

Fonte: NCSE

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