Agent Carter tem ótima segunda temporada, mas não agrada o público

Por Gustavo Rodrigues

Agent Carter é uma série atípica para o público geek e da televisão, seja ele norte-americano ou brasileiro. A personagem, muito bem interpretada por Hayley Atwell, não tem fãs de carteirinha, mas é uma das melhores protagonistas de histórias baseadas em HQs na TV. Com uma trama que ocorre num período em que as mulheres eram vistas como o sexo frágil, são elas que conduzem as melhores cenas, seja nos combates corpo-a-corpo ou no desenvolvimento da personalidade forte. No entanto, a série ainda não conquistou o público, o que coloca em xeque o futuro da agente.

Peggy Carter é a versão de girl power dos anos 40, assim como já havia sido estabelecido em Capitão América: O Primeiro Vingador e na primeira temporada da própria série. Ao contrário da Supergirl, que tem em seus poderes os maiores trunfos, e da Jessica Jones, por se reabilitar e combater seu agressor, a agente da Marvel é o símbolo máximo em protagonismo feminino de HQ. Forte, inteligente e encantadora, ela tem profundidade o suficiente para motivar o telespectador a assistir todos os episódios. O nono episódio, especificamente, ainda apresenta sua mente por uma perspectiva bastante inusitada, porém característica de Los Angeles dos anos 40.

Para acompanhar a agente em suas missões e ser o braço direito perfeito, o pomposo Edwin Jarvis (James D'arcy) é o sidekick ideal. A relação de amizade entre os dois é diferente de qualquer outra que envolva sexos opostos, tornando-os uma dupla carismática tanto nos diálogos quanto em suas diferenças. Anna Jarvis (Lotte Verbeek), esposa do mordomo, ainda é responsável por vermos o lado mais emocional do serviçal de Howard Stark (Dominic Cooper) – que entrega novamente a versão cafajeste e genial do pai de Tony Stark.

Jarvis e Peggy

A trama da série ainda mergulha de cabeça na ficção científica nessa segunda temporada. Após um assassinato misterioso, um vídeo secreto com um fenômeno inexplicável coloca Peggy Carter em busca de respostas. Assim, ela conhece o cientista Jason Wilkes (Reggie Austin) e começa a desvendar os mistérios que há por trás da empresa Isodyne Energy. Portais, invisibilidade, aparatos de amnésia e até canhões de raio gama são elementos importantes para o desenvolvimento da história.

Peggy Carter não é a única mulher de personalidade forte da série. Dottie Underwood (Bridget Regan) já havia aparecido no primeiro ano e é responsável por boas cenas de luta e sedução – como era de se esperar de uma boa agente do Programa Russo, o mesmo que conhecemos um pouco no passado de Viúva Negra, em Vingadores: A Era de Ultron.

Entretanto, é Whitney Frost (Wynn Everett) o maior perigo. Além de ser determinada e chamar a atenção de todos os homens ao redor, ela esconde uma mente brilhante e megalomaníaca. Mesmo que seja uma adaptação bastante diferente da Madame Masque dos gibis, ela não desagrada em nenhum momento como vilã.

Agent Carter

Mesmo com sua qualidade narrativa, principalmente por ter apenas 10 episódios e não passar a sensação de enrolação ao telespectador, a segunda temporada de Agent Carter é uma das melhores histórias baseadas nos universos dos quadrinhos disponível na televisão atualmente. Entretanto, a audiência diminuiu consideravelmente entre as seasons, tornando o futuro da série uma incógnita, assim justificando o desfecho ambíguo da trama. Ainda há muito de Peggy Carter para acompanharmos, e milhões de pessoas a descobrir a força de uma personagem feminina num mundo que não a enxerga como deveria, simplesmente por causa do seu gênero.

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