Presidente de House of Cards se rende aos jogos mobile

Por Felipe Demartini | 02 de Março de 2015 às 11h42

Enquanto os bastidores do poder são um tema altamente destacado do dia-a-dia das pessoas, normalmente restrito às páginas de política ou, pior ainda, de polícia, “House of Cards” faz questão de trazer tudo isso para bem perto do espectador. Não apenas por ser uma das principais séries originais do Netflix, e também uma das mais vistas do serviço, mas também por trazer um presidente que é gente como a gente, pelo menos no que diz respeito ao amor pelos jogos eletrônicos. Você pode ler esse texto com tranquilidade, não tem spoilers por aqui.

Frank Underwood, interpretado por Kevin Spacey, já falou de games antes. Em temporadas anteriores, ele já apareceu jogando um PlayStation 3, disse ser fã de jogos de tiro como Call of Duty e até mesmo desejando um PS Vita. No terceiro ano de House of Cards, que estreou na última sexta-feira (27), porém, ele parece ter se rendido às tendências de mercado e, em seu pouco tempo livre, adquirido um gosto por títulos móveis. O escolhido foi Monument Valley, da desenvolvedora independente ustwo.

Mais do que isso, os roteiristas fizeram questão em transformar o amor de Underwood pelos games em um dos pontos-chave do roteiro, quando o presidente contrata Thomas Yates, um jornalista freelancer responsável por uma análise de Monument Valley e que, agora, será responsável pela biografia do político e um de seus principais programas sociais. O protagonista deixa claro: o repórter foi chamado para o trabalho por causa de seu trabalho por games.

O jogo independente toma inspiração na obra de M.C. Escher, um artista gráfico holandês, para brincar com a perspectiva. Em fases que levam o jogador de um ponto a outro do cenário, a ideia é brincar com pontos de vista para evitar inimigos, abrir portas e revelar passagens por meio de enigmas, tudo em um mundo que não respeita as leis da gravidade normais nem possui diálogos, mas, mesmo assim, não deixa de ter um enredo. O game foi premiado até mesmo pela própria Apple, que elogiou o design e a proposta, além de ter sido um dos concorrentes a Melhor Jogo Portátil do Ano no The Game Awards 2014, uma das mais conceituadas cerimônias da indústria.

A iniciativa, que não pareceu um posicionamento de produto pago, gerou comentários na imprensa de tecnologia internacional e até mesmo um agradecimento público da ustwo. Em uma mensagem no Twitter, direcionada ao perfil fictício de Underwood, a empresa se disse feliz de ver que o presidente gostou do jogo e o desejou sorte com o programa de empregos, esse sim um dos principais pontos do enredo de toda a temporada.

Mais tarde, Underwood também aparece em sua primeira experiência com The Stanley Parable, um game “muito parecido com a sua própria vida” no qual o jogador precisa seguir as ordens de um comandante misterioso pelos corredores de um escritório vazio – essa é apenas uma descrição vaga, para não entregar o que o game realmente significa. Mais um título indie para o currículo de Underwood, que parece estar seguindo cada vez mais a tendência do mercado: com menos tempo livre, tem adquirido preferência por games mais curtos.

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