Zoom interrompe lançamento de funções para focar em segurança

Por Felipe Demartini | 02 de Abril de 2020 às 12h54

Imagine que você tem um aplicativo funcional e consolidado, mas em menos de três meses vê seu número de usuários crescer 2000% e vira o centro das atenções não apenas dos utilizadores comuns, mas também dos hackers. É essa a história do Zoom, que viu sua base saltando de 10 milhões de pessoas em dezembro para 200 milhões em março e agora anuncia uma interrupção no fluxo de atualizações de recursos para lidar com questões de segurança.

Ao longo dos próximos 90 dias, o foco do Zoom estará completamente sobre a solução de falhas de segurança, brechas que podem permitir o mau uso da aplicação e a divulgação de relatórios de transparência sobre tais questões. Com isso, o desenvolvimento de novos recursos fica interrompido temporariamente, com as atualizações focadas apenas na segurança da aplicação.

O plano foi divulgado por Eric Yuan, CEO do Zoom. Em publicação oficial, ele pede desculpas à comunidade pelos problemas que foram encontrados ao longo das últimas semanas e afirma saber que a empresa ficou aquém das expectativas. Ele ainda diz que mesmo antes do anúncio das mudanças, sua equipe já trabalhava diretamente em otimizações para lidar com o novo fluxo de usuários e as maneiras diferentes pelas quais o app vem sendo utilizado ao redor do mundo, principalmente no que toca a segurança e a privacidade das informações.

Um dos focos de atenção são as escolas, que também adotaram o software para ministrar aulas online. Hoje, de acordo com Yuan, são 90 mil instituições de ensino de 20 países diferentes utilizando o app. Departamentos do governo também adotaram a solução, com os problemas também gerando seu revés — a SpaceX, por exemplo, baniu a utilização do Zoom entre seus funcionários por causa dos problemas de segurança.

Por isso, mais do que apenas trabalhar em updates, os responsáveis pelo aplicativo estão trabalhando na divulgação de relatórios periódicos de transparência que elencarão os esforços e falarão sobre ameaças de segurança. Nesses documentos, por exemplo, constarão mudanças como a recente remoção de um código na versão iOS, que compartilhava informações dos usuários com o Facebook, e a desativação de um recurso que indicava a responsáveis por conferências quando os participantes estavam com a janela minimizada.

Alterações em políticas também foram feitas pensando nas escolas, como limitações para que só professores possam compartilhar conteúdo e o fechamento de salas de aula por padrão, de forma que apenas cadastrados e autorizados possam entrar nelas. Essa, inclusive, é outra recomendação de segurança do Zoom para evitar um problema não ligado a brechas, mas que está levando à invasão de conferências públicas para exibição de conteúdo impróprio.

Fonte: Zoom

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