Zoom é acusado de enganar usuários sobre criptografia e proteção de dados

Zoom é acusado de enganar usuários sobre criptografia e proteção de dados

Por Felipe Demartini | 14 de Agosto de 2020 às 18h00
unsplash

O Zoom está no centro de mais uma disputa relacionada à segurança, com um grupo americano de defesa do consumidor acusando a empresa de mentir aos usuários sobre aspectos relacionados à proteção de privacidade e dados pessoais. De acordo com o Consumer Watchdog, a empresa mentiu ao afirmar que aplica criptografia de ponta a ponta em todas as chamadas realizadas.

Essa alegação estaria relacionada a uma segunda acusação, que também faz parte do processo movido pela instituição em uma corte de Washington, nos Estados Unidos. De acordo com a ação, o Zoom teria usado servidores localizados na China para permitir ligações entre pessoas da América do Norte, um aspecto que entraria no caminho da promessa de segurança firmada pela companhia e, ainda, levantaria suspeitas quanto às relações da plataforma com o país asiático.

Em comunicado, o Consumer Watchdog afirmou que as evidências de práticas ruins de segurança são impressionantes e pede US$ 1,5 mil em indenizações para cada chamada feita ou com a participação de usuários residentes em Washington. As compensações estão relacionadas, porém, apenas a ligações sociais ou voltadas para aprendizado e não se aplicam a reuniões de negócios.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

O grupo afirma ainda que o Zoom se tornou parte integrante do dia a dia de indivíduos, escolas e corporações, principalmente durante a pandemia, e que as afirmações falsas quanto ao estado da própria segurança foram feitas como forma de atrair mais usuários para a plataforma. No processo, os responsáveis afirmam ainda que a empresa admitiu, mais de uma vez e diante do escrutínio de profissionais de segurança, que usaria métodos inadequados de proteção dos dados dos usuários e não uma criptografia forte de ponta a ponta, que impediria uma interceptação.

Não é a primeira vez, inclusive, que o Zoom se vê na mira de escrutínio desse tipo. Em abril, o diretor de produtos da empresa, Oded Gal, disse que o uso da expressão criptografia de ponta a ponta era uma forma de afirmar que a plataforma usaria a proteção máxima nas instâncias de comunicação, mas admitiu o erro, principalmente, diante do que se vem à mente quanto o termo é usado. Na sequência, a companhia anunciou que aplicaria o protocolo apenas a contas pagas, e diante da resposta negativa de usuários e da imprensa, voltou atrás e anunciou estar desenvolvendo o sistema para todos.

Na mesma ocasião, supostas relações entre o Zoom e o governo chinês também vieram à tona. Apesar de ser uma companhia sediada nos EUA, ela seria dona de três startups no país asiático, com operações de suporte ao funcionamento central do app de conferências em vídeo, além de utilizar servidores localizados lá no funcionamento internacional da aplicação — é daqui que vem a alegação do Consumer Watchdog e, também, uma investigação que está em andamento pelo Departamento de Justiça americano.

O Zoom não se pronunciou oficialmente sobre o assunto, afirmando que aguarda o recebimento do processo para que possa falar sobre o caso após uma análise.

Fonte: Consumer Watchdog, The Washington Post  

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.