YouTube apaga mais de 51 milhões de vídeos usados em golpes

Por Felipe Demartini | 13 de Agosto de 2020 às 12h58
Thomas Trutschel/Photothek via Getty Images
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51 milhões de vídeos e 1,97 milhão de canais no YouTube foram retirados do ar apenas entre janeiro e março deste ano, devido a violações dos termos de uso da plataforma. O relatório publicado pelo Google pinta o panorama do alcance dos sistemas de moderação automática da rede, enquanto, também, exibe o tamanho do problema envolvido no uso das publicações, principalmente, para a prática de golpes.

Tentativas dessa categoria, envolvendo fraudes financeiras, links para conteúdo malicioso, spam e outras instâncias desse tipo representaram mais de 87% das remoções do primeiro trimestre de 2020, um total equivalente a mais de 44,8 milhões de vídeos. Em segundo lugar está o conteúdo sexual ou com nudez, que representou 8% das retiradas, com clipes que colocavam a segurança de crianças em terceiro, com 2,6%. Outros tipos de materiais, como aqueles promovendo discursos de ódio, cyberbullying, assédio ou em que usuários se passam por terceiros tiveram menos de 1% de detecção, na soma de bloqueios automáticos.

Quando se fala em remoções manuais, baseadas em denúncias de usuários, porém, o trabalho é um bocado mais lento. De acordo com o YouTube, 399,4 mil vídeos foram retirados do ar por sua equipe de moderadores humanos, que revisam publicações de forma independente a partir de denúncias dos usuários ou do que o YouTube chama de “marcadores individuais”, colaboradores cujas indicações têm mais peso. O relatório de transparência também mostra um total de 7,7 mil remoções após denúncias de ONGs e apenas 38 devido a indicações governamentais.

Outra boa notícia é que quase metade de todos os vídeos removidos pelo YouTube não tinham visualizações, ou seja, suas tentativas de golpe ou as violações citadas não chegaram a atingir ninguém. Esse total é de 49,9%, enquanto outros 27,4% não passaram das 10 visualizações. O YouTube não entrou em detalhes sobre o alcance dos outros 22,7% de clipes que ultrapassaram essa marca, deixando de lado indicações sobre o alcance em potencial de golpes e outras violações.

No campo das remoções manuais, as coisas mudam um pouco. As tentativas de golpes continuam no topo, com 37%, mas os conteúdos inseguros para crianças aparecem em segundo lugar, com 24,3%, seguidos de conteúdo sexual ou com nudez (14,3%) e violência (11,4%). A divergência nos números deve ao fato de, principalmente no caso dos pequenos, ser mais difícil para um algoritmo identificar automaticamente materiais desse tipo.

O Brasil aparece em terceiro lugar na lista de países mais afetados pela publicação de material irregular, com 484,5 mil vídeos removidos, indicando que muitos deles podem, também, aparecer em nosso idioma devido à popularidade do serviço por aqui. O país aparece atrás apenas dos Estados Unidos (1 milhão) e Índia (826,6 mil), que lideram o ranking, e deixa para trás a Indonésia (442,1 mil) e a Coreia do Sul (262 mil) como os cinco maiores em violações e retiradas automáticas de conteúdo.

O trabalho de remoção automática de conteúdo também acontece nos comentários, com o YouTube reportando um total de 693,5 milhões de publicações retiradas do ar automaticamente. Novamente, a maioria é de tentativas de golpe, com 67,9% dos casos, seguidas de questões ligadas à segurança infantil (13,9%), assédio e bullying (11,8%) e, por fim, discurso de ódio ou abusivo (6,3%).

Nos comentários, também, o algoritmo atua mais do que nunca, com 99,6% das detecções acontecendo de forma automática. Segundo o YouTube, o total de publicações tiradas do ar está relacionado apenas ao conteúdo postado em vídeos que permanecem no ar, não contando aqueles que deixaram a plataforma pela remoção de canais ou postagens por completo.

Fonte: YouTube Community Guidelines

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