Vuvuzela: sistema de segurança utiliza spams para esconder mensagens legítimas

Por Redação | 14.12.2015 às 14:32

Um dos principais artifícios de um bom espião é saber se esconder no meio de uma multidão sem ser notado. É justamente esse o conceito de um protocolo de segurança proposto por uma equipe de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, que está trabalhando em uma forma de utilizar spams para ocultar mensagens legítimas.

O protocolo, chamado de Vuvuzela, é pensado como uma alternativa menos complexa que o Tor, em termos de criptografia, mas tão ou mais segura que o sistema. Aqui, aplica-se a mesma ideia de comunicações sendo roteadas a partir de diversos servidores, mas em vez de encriptação, centenas ou milhares de mensagens vazias ou com texto irrelevante são enviadas ao mesmo tempo, com o texto do usuário saindo em meio a elas.

O resultado é um sistema incapaz de revelar metadados dos utilizadores. Alguém que estivesse rastreando a comunicação, por exemplo, veria dezenas de milhares de conexões sendo feitas com diversos usuários e serviços, e teria que aplicar trabalhosos e difíceis métodos de busca para discernir qual delas é a legítima. É como procurar por uma agulha em um palheiro.

O conceito ainda tem seus problemas, e o principal deles é a latência. Em testes com um milhão de usuários simulados, as mensagens levaram 44 segundos para saírem do remetente e chegarem até o destinatário, um atraso que, por exemplo, inviabiliza o uso da Vuvuzela como um método de mensagens instantâneas. Os criadores agora querem trabalhar na velocidade de seus servidores para que esse lag diminua e propicie uma comunicação mais ágil.

E sim, é exatamente isso que você está pensando. O nome do protocolo foi mesmo inspirado nas incômodas cornetas que deram o tom da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, gerando um zumbido incessante em praticamente todos os jogos da competição. Esse som era capaz de acobertar as conversas entre interlocutores, sendo possível ouvi-los apenas em proximidade. Na internet, o barulho irritante foi substituído por uma alternativa igualmente insuportável.

Fonte: Gizmodo