VPN para burlar o bloqueio de WhatsApp: quais os riscos de segurança

Por Colaborador externo | 03 de Maio de 2016 às 19h28

Por Fabio Pacheco*

Atualmente a comunicação móvel é o principal meio de relação entre as pessoas, tanto no meio corporativo quanto na vida pessoal. Assim sendo, é natural que os comunicadores instantâneos desempenhem um papel central neste cenário.

Nesta segunda (2), pela segunda vez no Brasil, o poder judiciário ordenou o bloqueio do comunicador instantâneo WhatsApp, dessa vez por 72 horas. Todas as operadoras de telefônica celular foram notificadas para cumprirem a decisão legal e o descumprimento será punido com multa.

Como da primeira vez quando houve o bloqueio, diversos sites apresentam soluções para burlar a imposição restritiva e entre as mais populares e fáceis está a configuração de uma VPN nos dispositivos móveis, seja baixando um aplicativo ou configurando manualmente.

A VPN (Virtual Private Network) é uma rede privada virtual, a qual força a navegação da internet dos dispositivos a fazer um caminho pré-definido a fim de conectar dois computadores, passando pelas redes mapeadas em um roteamento configurado por quem criou esta rede. Em outras palavras, a VPN é como um túnel em uma estrada que lhe desvia do caminho normal tomado por todos os outros carros e lhe confere acesso direto a uma determinada localidade.

Assim sendo, resta nos perguntar: Por que a VPN impede o bloqueio do meu WhatsApp e qual é o risco de se usar esta alternativa?

Em primeiro lugar, devemos entender porque a VPN dribla o bloqueio do WhatsApp e a resposta para esta dúvida é bastante simples. Uma vez que as operadoras são contatadas para bloquear o serviço, elas fecham a sua rede para a navegação dos dados pelo aplicativo alvo da ação judicial no país onde o problema ocorre, que no caso é o Brasil. Ao utilizar uma VPN, o dispositivo passa a navegar na internet usando uma rede virtual privada que não necessariamente é brasileira, ou seja, ele passa a navegar estando registrado em outro país. Na prática, eu passo a usar o acesso a minha internet brasileira para me conectar com uma rede virtual privada de um outro país - como a Mongólia, Azerbaijão ou a República Democrática do Congo – assim todas as minhas conexões passam a ser registradas como um tráfico internacional. Como estes países não possuem restrições, o WhatsApp passa a estar liberado.

Entendendo a questão anterior podemos então responder qual é o risco de segurança para smartphones, pessoas e empresas. O que acontece, no fim das contas, é que uma VPN é uma via de mão dupla: ela permite a navegação por uma rede que não tenha restrições para o uso do WhatsApp e em contrapartida o usuário trafega seus dados por uma rede desconhecida onde não se pode ter certeza se os dados serão ou não interceptados e se todas as conexões serão identificadas. Por outra forma, equivale a dizer que em troca de acessar o WhatsApp o usuário permite que tenham acesso a todos os seus dados de navegação e conteúdo em seu dispositivo móvel.

Esta questão é tão importante que podemos ressaltar os riscos para todos os envolvidos: para a empresa, todas suas comunicações ficam expostas; para os usuários, todos os seus dados podem ser roubados, incluindo senhas e fotos.

Outras soluções menos nocivas do que usar uma VPN estranha registrada em um país que não sabemos quais são as leis para a Internet podem ser adotadas, como substituir a comunicação instantânea por outros aplicativos que não possuam nenhuma restrição. Alguns exemplos são o Telegram, Hangout e Skype.

Diante desta constatação, fica o claro questionamento: em nome de garantir a comunicação instantânea através do WhatsApp vale a pena criar uma vulnerabilidade tão grande para o conteúdo e comunicação de seu dispositivo móvel?

*Fabio Pacheco é especialista em mobilidade na Navita.

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