Uber estaria usando sistema para dificultar trabalho de autoridades

Por Redação | 19.05.2017 às 09:30
photo_camera Divulgação

Novas provas admitidas em tribunal nos Estados Unidos revelam que a Uber pode estar usando sistemas automatizados para dificultar o trabalho de autoridades regulatórias. Por meio de uma análise de dados obtidos, alguns destes usuários “marcados” estariam vendo versões diferentes do aplicativo ou tendo recursos restritos.

As novidades são, mais uma vez, oriundas de uma ação movida por Ward Spangenberg, ex-investigador forense da Uber, que está processando a empresa após ter sido demitido, segundo ele, por denunciar internamente as falhas na segurança da aplicação. À Corte Suprema da Califórnia, ele levou documentos que mostram as minúcias do funcionamento da aplicação, que resultaram na revelação de termos usados pela companhia para situações de irregularidade – ou não – dentro da plataforma.

São sistemas que, de acordo com a Uber, são usados para detectar fraudes. A coleta de informações como locais de criação de contas, pedidos de corridas, formas de pagamento, valores, frequência de uso, distância percorrida e total de cancelamentos, por exemplo, criam um perfil que indica para o sistema que tipo de utilização o usuário faz da plataforma. Até aqui, problema nenhum, não fosse o fato de que essa filtragem também estaria sendo usada para fins escusos.

De acordo com o perfil, cada usuário recebe tags que indicam o “tipo” de serviço que receberá. Uma delas é o “greyball”, que pode exibir versões diferentes do aplicativo para determinadas pessoas, de acordo com diferentes critérios. A Uber afirma que esse é um recurso que permite, por exemplo, que promoções ou alertas sejam exibidos para usuários de acordo com a região, mas que, em 2014, teria sido usado pela empresa para impedir que oficiais da cidade de Portland chamassem corridas da categoria UberX.

Na ocasião, autoridades municipais estavam realizando investigações sobre o uso de carros de passeio convencionais para fins de transporte, algo que iria contra as leis locais. Os documentos detonaram uma investigação pelo Departamento de Justiça americano sobre a possibilidade de a Uber ter dificultado o trabalho de regulação usando os dados dos aplicativos, impedindo que os responsáveis pelas normas – e somente eles – chamassem carros particulares.

Outro uso de tecnologia para esse tipo de atitude envolve o “geofencing”, um recurso que seria usado para impedir chamadas em certos locais – seja por proibição judicial ou dificuldade de acesso – ou garantir que códigos de desconto para eventos, por exemplo, fossem utilizados somente para esse fim. Prédios governamentais e até concorrentes, porém, também estariam sendo rastreados por esse método, com efeitos diferentes para quem se encontra em tais localizações.

Mais uma vez, a denúncia ecoa a outros relatos, como um de 2015, no qual revelou-se que a Uber estaria coletando dados dos usuários de iPhone mesmo depois que o aplicativo de transportes era deletado. A empresa usaria o “geofencing” para limitar o acesso de funcionários da Apple aos serviços, como forma de evitar essa descoberta, e faria a mesma coisa com prédios governamentais, onde, novamente, regulações que atuariam contra a companhia estariam sendo estudadas.

Os papéis trazem mais evidências sobre o funcionamento obscuro dos sistemas internos da empresa, que há anos vem sendo acusada de invadir a privacidade de seus usuários. Em um dos casos mais graves, publicado na imprensa em dezembro do ano passado, funcionários da Uber estariam usando seus sistemas para hackear ex-cônjuges e até celebridades. A companhia negou, afirmando que seus empregados têm acesso ao mínimo de dados necessários para realizarem seus trabalhos e passam por auditorias constantes para evitar mau utilização desse acesso.

A Uber não se pronunciou oficialmente sobre os novos documentos, mantendo as declarações anteriores de que, assim como diversas outras empresas – incluindo suas rivais –, utiliza sistemas de inteligência artificial para regular seus serviços e melhorar a oferta. A ação movida por Spangenberg, agora, segue em segredo de justiça.

Fonte: Gizmodo