Trojans publicitários foram a maior ameaça aos dispositivos móveis em 2016

Por Redação | 07.03.2017 às 12:24

Em seu relatório anual Mobile Virusology Malware Report for 2016, que indica as maiores ameaças aos dispositivos móveis, a Kaspersky Lab concluiu que houve um aumento de quase três vezes nas detecções de malware em smartphones e tablets em relação a 2015. Ao todo, foram mais de 40 milhões de tentativas de ataques, sendo que a maioria estava relacionada a malwares de publicidade, ransonware e bancários.

Campeões na preferência dos cibercriminosos, os cavalos de Tróia de publicidade já correspondem a 80% dos principais programas maliciosos existentes por aí. Sozinhos, eles foram responsáveis por mais de 260 mil detecções feitas pelas ferramentas de segurança da Kaskersky.

Esse tipo de cavalo de Tróia exibe anúncios nos dispositivos infectados e tornam impossível o manuseio do gadget. Dependendo da praga, ela também instala e compra aplicativos sem o consentimento do usuário, que apenas vê seu dispositivo ficar cada vez mais pesado e seu cartão de crédito acusar compras que ele jamais fez.

Já os trojans de ransomware, o segundo tipo mais utilizado pelos cibercriminosos, "sequestram" o dispositivo dos incautos e lhes exigem o pagamento de uma quantia para liberar o acesso aos arquivos do aparelho. De acordo com a Kaspersky Lab, esses ataques rendem para os crackers entre US$ 100 e US$ 200 para cada dispositivo infectado.

Finalmente, o estudo da empresa de segurança alega que mais de 305 mil usuários em 164 países foram vítimas de torjans bancários em 2016. O número contrasta bastante com o registrado em 2015, quando esse tipo de praga fez "apenas" 56 mil vítimas em todo o mundo. A justificativa disso é que esse tipo de malware está cada vez mais sofisticado, sendo capaz de contornar as medidas de segurança implementadas pelos sistemas operacionais móveis.

Agentes especializados do Complexo Global para Inovação da INTERPOL argumentam que tamanha sofisticação está diretamente associada ao bem-sucedido mercado de comercialização de "malware-as-a-service" que se estabeleceu na Dark Web. Nas profundezas da rede de computadores, crackers são pagos para desenvolver ferramentas maliciosas para os mais diversos fins, expandindo seus negócios e a diversidade de pragas virtuais que emergem na chamada internet de superfície.

Roman Unucheck, analista sênior de malware da Kaspersky Lab nos Estados Unidos, também chama a atenção o desleixo das fabricantes no que diz respeito à atualização dos dispositivos, que acabam se tornando suscetíveis a problemas que já foram solucionados. "Os criminosos estão aproveitando o fato de que a maioria dos dispositivos não recebe atualizações do sistema operacional e, portanto, são sujeitos a vulnerabilidades antigas, bem conhecidas e prontamente disponíveis".

"Talvez em 2017 veremos grandes ataques a componentes de Internet das Coisas (IoT) executados a partir de dispositivos móveis", prevê o executivo.

Via Securelist