Telegram e Gmail são ferramentas preferidas de terroristas, segundo estudo

Por Redação | 03 de Maio de 2016 às 19h05
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Um estudo revelou que 34% dos terroristas jihadistas utilizam o aplicativo Telegram e o serviço de email do Google para se comunicarem. A pesquisa foi conduzida pela empresa de segurança digital norte-americana Trend Micro e monitorou 2.301 contas de usuários em fóruns de temática terrorista, focando no uso que se faz das tecnologias em benefício de causas próprias. Outros serviços populares entre o grupo incluem os aplicativos Signal e Whatsapp e os servidores de email Mail2Tor e Sigaint.

TrendMicro1

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Todos os aplicativos citados na pesquisam utilizam encriptação, que transforma os textos em códigos extremamente difíceis, quando não impossíveis de serem monitorados. Quanto aos serviços de email, embora o conteúdo possa estar protegido, órgãos de segurança nacional, como o FBI, podem rastrear a localização de usuários mediante solicitação legal feita ao Google.

Essa “vulnerabilidade” leva os jihadistas a utilizarem provedores mais obscuros, como o Mail2Tor e o Sigaint, com aproximadamente 20% de adesão cada. Estes serviços dificultam o monitoramento por operarem em um nível da internet que é altamente anônimo, conhecido como Tor. Este sistema criptografa e transmite sinais pelo globo, permitindo que se evite censuras e monitoramentos, além de esconder a localização real do computador.

Customização de ferramentas

O estudo da TrendMicro analisou ainda um software desenvolvido pelos próprios terroristas para se comunicarem secretamente, o Mojahedeen Secrets. O programa, de autoria desconhecida, tem a sua criptografia de email profissional própria e foi criado especificamente para os extremistas muçulmanos.

Mojahedeen secrets

Inovações tecnológicas criadas para a manutenção da privacidade dos jihadistas não são recentes. Autoridades já identificaram outras ferramentas utilizadas por eles, como programas que criptografam conversas de mensageiros e conteúdo de smartphones.

Ensino da anonimidade

A pesquisa apontou ainda que grupos terroristas distribuem guias que ensinam as pessoas a se “anonimizarem”. Voltados inicialmente para jornalistas e ativistas, esses guias estão sendo distribuídos para os seguidores dos grupos extremistas e alguns deles inclusive especificam manobras contra a Agência Nacional de Segurança americana.

Propaganda política

Uma das maiores diferenças entre criminosos cibernéticos e terroristas, segundo a pesquisa, é que os primeiros se empenham para se esconderem depois de cometerem algo ilícito, enquanto os extremistas têm a intenção de que seus atos se tornem virais. Para isso, fazem uso de sites, tanto na internet aberta quanto no seu “submundo”, redes sociais, em que comunicam entre si e encontram possíveis adeptos, e ainda o método antigo de mídias físicas, como cartões de memória.

Fonte: Trend Micro