Telefone.ninja: site que divulga e-mails, endereços e telefones espalha vírus

Por Redação | 06 de Junho de 2017 às 18h44

Muito cuidado ao receber de amigos a informação de que o site telefone.ninja está disponibilizando na internet informações de pessoas como endereços de e-mail, endereços físicos e números de telefone. Algumas mensagens que estão viralizando no WhatsApp e redes sociais dizem que um alerta foi emitido pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) do Rio de Janeiro, alegando que o site estaria espalhando vírus nas máquinas dos visitantes, mas a informação não foi confirmada oficialmente pelo órgão.

A página é bastante simples de usar, oferecendo um campo de busca para que o visitante procure pelo nome ou sobrenome da pessoa que deseja investigar se seus dados estão sendo expostos ali. Muitas pessoas já acessaram o site e descobriram que suas informações pessoais aparecem ali a um clique de distância, o que tem aumentado a divulgação do telefone.ninja por aí e, consequentemente, aumentando os acessos do site. Contudo, essa página somente compila dados que já aparecem em buscas pelo Google - e basta digitar seu nome completo ao lado das palavras "CPF" ou "telefone" para descobrir se esses seus dados já se tornaram públicos na rede.

De acordo com informações de Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab, "o site é usado para fazer busca de dados pessoais, mas não está sendo usado para distribuir vírus". A empresa que desenvolve soluções de segurança na rede realizou rastreamentos de vírus na página em questão, não encontrando nenhum indício de arquivos maliciosos serem instalados nas máquinas dos visitantes. Ainda segundo o especialista, o telefone.ninja está hospedado em um servidor de Budapeste, na Hungria, e seu proprietário também controla os sites EmpresasCNPJ e USACorporates, mas não há nada de ilegal em expôr informações que já existem na internet.

Na verdade, a legislação brasileira é um tanto quanto confusa nessa questão Por um lado, as resoluções da Anatel e a Lei Geral de Telecomunicações (Lei nº 9.472/97) afirmam que "será livre a qualquer interessado a divulgação, por qualquer meio, de listas de assinantes do serviço telefônico fixo"; do outro, o artigo 7 do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/14) impede essa mesma prática, assegurando aos usuários o "não fornecimento a terceiros de seus dados pessoais, inclusive registros de conexão, e de acesso a aplicações de internet, salvo mediante consentimento livre, expresso e informado".

Assolini afirma que "no Brasil, não temos lei de proteção de dados pessoais". Segundo o especialista, "os dados que vazaram estão nas mãos dos criminosos, que podem fazer o que quiserem com eles, e se nós compararmos com os Estados Unidos, a coisa é diferente... a empresa é obrigada por lei a vir a público e notificar seus clientes que houve um vazamento de dados".

O que fazer?

Em sua página, o telefone.ninja diz que, quem desejar ter seus dados excluídos dali, precisará entrar em contato com sua operadora de telefonia e solicitar a não divulgação de suas informações. Mas Assolini explica que não há garantia alguma de que essa solicitação será atendida, uma vez que as operadoras não deveriam compartilhar esses dados, em primeiro lugar. Infelizmente, "não há muita coisa que o consumidor possa fazer. Uma vez que está público na internet, são disseminados de uma forma que você não consegue segurar", explicou. Ainda segundo o especialista, "o que o usuário pode fazer é contratar serviços de monitoramento" dessas informações, como os serviços de proteção ao crédito, que monitoram a situação do CPF da população.

Ainda sem que seja certeza de que a página rouba dados do visitante ou dissemina vírus em seu computador, segue valendo a máxima de não clicar em tudo o que vir nas redes sociais, mesmo que a curiosidade em saber se seus dados aparecem expostos ali fale mais alto. Além disso, atualizar seu anti vírus e firewall ajudará a manter sua máquina protegida.

Com informações de Veja Rio, Exame e IG

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