Serviço de limpeza de caixas de e-mail é acusado de vender dados de usuários

Por Redação | 24 de Abril de 2017 às 12h30

Um serviço gratuito que prometia limpar a caixa de entrada das pessoas para manter sua tranquilidade online pode se ver, em breve, envolvido em uma grande controvérsia. O Unroll.me, que faz uma varredura da caixa de entrada e realiza o descadastramento automático de newsletters, está sendo acusado de vender dados de usuários do Lyft, obtidos a partir, justamente, do correio eletrônico, para a Uber, sua principal rival no mercado de transportes.

O relato apareceu em uma reportagem do jornal americano The New York Times, que cita algumas das estratégias de mercado da Uber para se tornar uma das principais plataformas de caronas pagas. De acordo com as informações, o Unroll.me interceptava recibos de usuários do Lyft cadastrados no serviço e enviava as informações para o concorrente.

A operação acontecia a partir da Slice Intelligence, uma companhia de análise de mercado que é dona do serviço de limpeza de caixas postais. Não se sabe ao certo quais eram as informações compartilhadas pelo Unroll.me com a Uber, mas tais dados seriam utilizados pelo serviço de transportes para averiguar a “saúde” do rival, bem como a frequência dos usuários.

Em comunicado oficial, a Slice admitiu a venda de informações obtidas a partir das caixas postais de seus usuários, mas não confirmou se a Uber faz parte da lista de clientes, nem se eles estariam mesmo interessados em informações do Lyft. Além disso, disse que todos os dados compartilhados com os clientes são anônimos e completamente seguros.

Já o CEO do Unroll.me, Jojo Hedaya, disse que as informações comercializadas se relacionam a dados de compras feitas pelos usuários, dando a entender que outras companhias também podem utilizar serviços semelhantes. Sem entrar em detalhes, ele pediu desculpas aos que confiaram na plataforma e confirmou que a venda de dados é uma de suas formas de monetização, algo que deveria ter sido deixado claro para todos os utilizadores.

A Uber não comentou sobre o assunto. Na reportagem, a empresa de transportes também é acusada de identificar e rastrear a utilização de usuários do iOS mesmo depois de seu próprio serviço já ter sido deletado do smartphone dos clientes.

Fontes: Unroll.me, The New York Times