Programador é preso pelo roubo e venda de ferramenta de spyware

Por Felipe Demartini | 06 de Julho de 2018 às 11h55

Autoridades de Israel confirmaram nesta sexta-feira (6) a prisão de um homem de 38 anos de idade, acusado de roubar e tentar vender, na deep web, softwares desenvolvidos para uso exclusivo das autoridades. O indivíduo foi capturado em uma operação que envolveu uma negociação simulada, na qual ele teria pedido US$ 50 milhões para entregar ferramentas de desbloqueio e obtenção de dados em smartphones, especialmente o iPhone.

A tecnologia seria de propriedade da NSO Group, uma companhia também israelense que desenvolveu, entre outras soluções, o Pegasus, um software que exploraria uma falha de segurança nos aparelhos da Apple para obtenção de informações. A polícia não comentou se essa era a ferramenta que estava sendo comercializada pelo acusado, confirmando apenas que ele teria roubado a tecnologia dos próprios servidores da companhia, após descobrir que seria demitido dela, onde trabalhava como programador sênior.

Após a dispensa, ele começou a se passar como hacker na deep web, pedindo a alta soma em criptomoedas como uma forma de evitar o rastreamento. Além disso, o acusado afirmava ter softwares vazados em sua posse, sem explicar exatamente como havia obtido tais ferramentas. Um outro usuário demonstrou interesse na aquisição, mas antes, notificou a NSO sobre o caso, dando origem à operação conjunta entre a empresa de segurança e as autoridades israelenses.

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O programador foi acusado de roubo, invasão de sistemas de computador e também de ameaçar a segurança nacional, ao realizar uma venda ilegal de produtos voltados ao setor militar e de vigilância. Em declaração, o ministério da justiça de Israel afirmou que a venda, se concretizada, representaria não apenas uma grave violação da propriedade intelectual da NSO, mas também uma brecha na própria proteção do estado israelense.

É uma alegação que é negada pela defesa do programador, que taxa as acusações das autoridades como desproporcionais. Os advogados do homem, não identificado por motivos de segurança, dizem esperar que a justiça seja feita, mas que o indiciamento seja baseado em provas e não em uma tentativa de privilegiar uma corporação ou criar um bode expiatório para brechas na segurança nacional.

A NSO Group ganhou as manchetes dos noticiários de tecnologia em 2016, quando revelou ter criado um spyware que explorava falhas de segurança no iPhone, de forma a desbloquear o aparelho e obter os dados contidos nele após o acesso simples a uma URL pelo navegador Safari. A falha teria sido corrigida pela Apple tanto no smartphone quanto em MacBooks, mas a companhia continuou alegando ter a chave deste cofre, tendo, também, atualizado seus sistemas para continuar furando a segurança da fabricante.

Mais recentemente, a companhia se viu envolvida em um escândalo no México, sob acusações de que o governo estaria utilizando seus softwares para espionar familiares e autoridades envolvidas na investigação do sequestro de 43 estudantes em uma área rural do país. O caso envolveria ligações entre o governo da cidade de Iguala, e também setores da administração federal, e uma das principais facções criminosas do país.

Em resposta sobre o assunto, entretanto, a NSO Group se desvencilhou de qualquer responsabilidade. A empresa afirma vender suas ferramentas apenas para agências governamentais verificadas, mas não realizar nenhum tipo de controle sobre a forma como tais softwares são utilizados depois disso.

Sobre a prisão de seu ex-funcionário, a NSO afirmou que o vazamento de suas ferramentas, com potencial para ameaçar a soberania não apenas de Israel, mas de qualquer outro país, já foi contido. Apesar de afirmar não saber se outros indivíduos tiveram acesso aos dados roubados durante as três semanas de negociação, a companhia disse que o HD onde as informações estavam armazenadas já foi recuperado.

Fonte: BBC

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