Procon-SP notifica FaceApp, Apple e Google sobre uso de dados

Por Felipe Demartini | 19 de Julho de 2019 às 11h34

A fundação Procon de São Paulo notificou oficialmente o FaceApp em busca de mais esclarecimentos sobre as políticas de uso de dados do aplicativo que voltou a viralizar no último final de semana. A Apple e a Google também receberam solicitações semelhante devido ao fato de disponibilizarem o software em suas lojas de softwares para os sistemas operacionais iOS e Android.

A notificação emitida nesta quinta-feira (18) é decorrente da publicação de uma série de reportagens na imprensa brasileira e internacional, que detalhavam alguns riscos de privacidade presentes na utilização do aplicativo. Do FaceApp, o Procon quer saber mais sobre as políticas de uso, armazenamento e compartilhamento dos dados obtidos durante a utilização do aplicativo, além de questionar sobre a inexistência de uma versão em português brasileiro dos termos de uso da aplicação.

Entre os detalhes pedidos pela Fundação está por quanto tempo as informações coletada ficam armazenadas e exatamente de que maneira elas serão utilizadas. Em sua política de privacidade, o FaceApp se dá ao direito de compartilhar os dados, de forma anônima, com parceiros relacionados à publicidade e também diz que utiliza tais informações para melhoria dos próprios sistemas. As informações, entretanto, são vagas, o que já levou a própria empresa, diante da pressão internacional, a dar mais declarações sobre o assunto.

Respondendo a questionamentos do governo dos Estados Unidos, por exemplo, o FaceApp disse que todas as informações coletadas dos usuários são apagadas dos servidores da empresa após 48 horas. Além disso, a empresa lembrou que os usuários não precisam se cadastrar para realizarem a manipulação de fotos, feita por inteligência artificial, e que por mais que alguma telemetria seja coletada para fins de publicidade ou melhoria dos sistemas, isso sempre é feito de maneira anônima, de forma que nenhum usuário individual possa ser identificado a partir destes dados.

Ainda, para atender às preocupações dos americanos, o FaceApp descartou a ideia de se tratar de um “app russo”, como afirmou o Comitê Nacional do Partido Democrata, que sugeriu a candidatos e equipes de campanha que desinstalem a aplicação em antecipação às eleições presidenciais de 2020. De acordo com a empresa, apenas uma parte de seu time de desenvolvimentro está na Rússia, enquanto toda a estrutura de coleta de dados e manipulação de imagens roda a partir da nuvem da Google, nos EUA. A companhia também negou qualquer ligação a governos.

Fabio Assolini, analista sênior da Kaspersky, concorda que não há nada de malicioso na utilização do FaceApp em si; o problema está em sua política de coleta de dados. Na visão dele, a falta de controle, principalmente sobre os sistemas de segurança da empresa e dos parceiros com os quais os dados dos usuários são compartilhados, é problemática, podendo levar a vazamentos oriundos da desatenção dos usuários, que dificilmente leem os termos de uso, e também do desconhecimento sobre quem, exatamente, está manipulando as informações.

A notificação do Procon-SP foi emitida no final da tarde desta quinta-feira (18) e, até o momento de publicação desta reportagem, as empresas ainda não haviam se pronunciado à imprensa nem à Fundação sobre o assunto.

Fonte: Agência Brasil

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