Polêmica: Anonymous impugnam primeiro lugar da Embraer em teste anticorrupção

Por Redação | 12.07.2016 às 00:24 - atualizado em 12.07.2016 às 17:51
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Uma pesquisa, batizada como "Transparência em Relatórios Corporativos: Avaliando Multinacionais de Mercados Emergentes" avaliou cem empresas com sede em 15 países emergentes e que operam em 185 mercados, e entre as doze companhias brasileiras, apenas uma foi aprovada.

O estudo, que revela as empresas mais transparentes utilizando uma escala que varia entre 0 (menos transparente) e 10 pontos (mais transparente), aprovou apenas a Embraer, que foi avaliada com 5,6 pontos. O problema, é que o resultado tem gerado polêmica, especialmente depois de uma postagem do grupo hacker Anonymous Brasil em sua página oficial.

Em 2014, o grupo divulgou várias denúncias da companhia, "demonstrando uma série de irregularidades cometidas por funcionários de alto escalão". Segundo as informações apresentadas ao público, o Anonymous cita diversas situações que envolvem desvios de verbas, benefícios onerosos à companhia por parte de seus executivos, superfaturamento e favorecimento político.

Anonymous Brasil

O relatório divulgado pelo Anonymous, na íntegra, diz:

A Embraer possui, em seu rol de fornecedores, muitos ex-empregados, os quais são beneficiados em processos de compra e praticam preços muito acima do mercado, sob o aval da alta gerência.

No que tange ao fornecimento de serviços gráficos, são realizados inúmeros retrabalhos a fim de acobertar superfaturamentos de várias gráficas brasileiras e estrangeiras, sob alegações de problema na qualidade. Não raramente, todo o material gráfico originário de “perdas” é descartado à noite pelas empresas terceirizadas de transporte, sob sigilo. A distribuição de comissionamento sobre estas vendas é regularmente realizada junto a analistas de marketing e seus diretores.

A empresa habitualmente concede patrocínios anuais milionários a forças políticas, em epecial aos solicitantes ligados ao ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, sob ameaça de retalização por parte da FAB – Força Aérea Brasileira e Ministério da Aeronáutica.

Empresas prestadoras de serviços de montagem de estandes em eventos, tanto no Brasil como no exterior, são beneficiadas com o pagamento de serviços superfaturados. No rateio destes superfaturamentos só entram os executivos da alta gerência, os quais regularmente fazem questão de hospedagem em hotéis de luxo e jantares onerosos ao caixa da empresa. Comumente levam parentes e amigos que não possuem qualquer relação com a Embraer.

Quando um empregado da Embraer pede demissão e este pertence a uma área estratégica da empresa, o mesmo é comumente ameaçado pela ala executiva da cia, uma vez que possui conhecimento de várias irregularidades praticadas na empresa.

Não há um controle rigoroso sobre os cartões corporativos da empresa e muitos empregados do setor de marketing usam os programas de fidelidade das companhias aéreas (devido a várias viagens) para o próprio benefício, utilizando milhagens durante suas férias.

A área de recursos humanos da empresa trabalha sob mordaça, pois não tem o mínimo poder de decisão sobre a contratação do melhor empregado para determinado setor, pois o contratado já foi escolhido por alguém influente no departamento que demandou a vaga. No entanto, há sempre uma simulação de recrutamento para acobertar tal prática.

Ex-executivos da Embraer, assim que se aposentam, abrem uma empresa de consultoria para continuarem sugando os regursos financeiros da empresa. Seus gastos pessoais são pagos através de notas de débito e notas fiscais sob alegação de 'serviços de consultoria'. (sic)

Controvérsia

Mesmo diante de todas as informações levantadas pelo grupo, a Embraer levou o título de empresa brasileira mais transparente. O segundo lugar ficou para a companhia de cosméticos Natura (com 4,7 pontos). Outras companhias que apareceram na lista são a Odebrecht (com 3,6 pontos) e o grupo JBS (com 3,1), ambas investigadas na Operação Lava Jato.

Segundo a pesquisa, 75% das empresas avaliadas apresentaram pontuação abaixo de 5 no teste, o que mostra um resultado preocupante. Para se ter ideia, a nota média foi de apenas 3,4 pontos. Para a ONG Transparência Internacional, os resultados demonstram que a maioria das empresas dos países emergentes "não mostra bom desempenho em relação à transparência de suas atividades, criando um ambiente que proporciona a proliferação da corrupção nos negócios e nos lugares onde operam".

Fonte: BBC, Anonymous