Pesquisadores criam rede de anonimato que promete ser mais segura do que o Tor

Por Redação | 11 de Julho de 2016 às 19h27
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Após uma falha ter sido descoberta no Tor, a rede de anonimato mais famosa da internet, vários pesquisadores ligaram suas máquinas a fim de tentar desenvolver algo ainda mais inviolável para garantir acesso anônimo à internet para quem assim desejar. Eis que um esforço conjunto de cientistas do MIT, nos EUA, e da EPFL, da França, chegou com algo que promete ser ainda mais seguro do que o que temos hoje à nossa disposição.

Chamada de Riffle, a nova rede promete ainda consumir a banda larga de forma mais adequada do que as suas predecessoras na hora de garantir a privacidade dos usuários. A Riffle também usa a técnica chamada de criptografia “da cebola”, tal qual o Tor. Nela, cada mensagem trocada entre dois pontos é separada em camadas, como em uma cebola, e uma chave pública é capaz de reunir todos os pedaços novamente. Contudo, a mixnet remove uma camada aplicada à criptografia e apenas o último servidor é capaz de identificar o seu conteúdo.

O segredo da novidade desenvolvida em conjunto pelo MIT e pela EPFL está no emprego de uma série de servidores chamada mixnet, que mistura a ordem das mensagens antes de elas serem enviadas e não usam qualquer tipo de chave pública. Em seu lugar, a Riffle adota um sistema de embaralhamento e autenticação criptografada entre todos os servidores para uma conexão inicial. Em suma, a mensagem é misturada em uma das pontas e reunida novamente, após verificação, em outra.

Segurança de toda forma

E a segurança é mantida mesmo que os nós da rede (os servidores ou os usuários) tenham sido invadidos ou estejam sendo monitorados. Isso porque cada nó só é capaz de decifrar as mensagens criptografadas caso elas tenham sido embaralhadas do jeito correto. Qualquer comprometimento deste processo anula a verificação e mantém a navegação anônima.

A técnica parece bastante complicada — e, bem, se você não domina muitos aspectos de ciência da computação, ela de fato é —, mas seu desempenho é bem simples, tanto é que ela consegue realizar transferências de dados com um décimo do tempo que uma rede convencional de anonimato levaria para fazer o mesmo.

“A ideia das mixnets estão aí áh muito tempo, mas infelizmente elas sempre dependeram da criptografia de chave pública e das técnicas de chave pública, o que encarecia tudo”, comenta Johnatan Katz, diretor do Maryland Cybersecurity Center e professor de ciência da computação da Universidade de Maryland. “Uma das contribuições deste estudo é que ele mostrou como usar técnicas de chave simétrica com mais eficiência para alcançar o mesmo objetivo”, concluiu.

O artigo no qual os pesquisadores detalha a rede recém-criada será apresentado em um simpósio ainda neste mês de julho. Então, ainda leva um tempo até que a Riffle esteja disponível para uso público em larga escala, mas o desenvolvimento de novos métodos para manter uma navegação realmente anônima e privada (e ainda mais segura) continua.

Fonte: MIT News

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