É seguro usar pagamento por aproximação no Carnaval? Especialistas dizem que sim

Por Felipe Demartini | 21 de Fevereiro de 2020 às 11h53
Nubank

A senha do cartão de crédito soa como a barreira final da proteção financeira, aquela que, se perdida, coloca tudo a perder. É justamente por isso que, para muitos, a ideia dos pagamentos por aproximação, que não exigem a digitação do PIN, pode parecer insegura. Mas especialistas, bancos e emissores dizem que é exatamente o contrário: a segurança, nesse caso, é a mesma de qualquer outra transação e, em alguns casos, o uso do NFC ainda pode ajudar o cliente a escapar de golpes

É o caso, por exemplo, da tradicional fraude da troca de cartão, que acontece muito durante o Carnaval e retorna ano após ano. Aproveitando a folia, a aglomeração e o teor alcoólico das pessoas, vendedores mal-intencionados fazem com que elas digitem a senha no campo de valor, tornando-a visível, e na sequência ficam com o cartão, devolvendo outro similar. A vítima só percebe o que aconteceu depois, quando nota saques, transferências e compras indevidas em sua conta.

“O objetivo do pagamento por aproximação é que o cartão nunca saia da mão do portador”, explica Adriana Umeda, diretora de risco da Visa, indicando que essa é uma das alternativas mais seguras para evitar o golpe. Segundo ela, as mesmas camadas de segurança envolvidas em uma compra tradicional, com senha, também estão presentes na utilização desse método, que também não registra uma incidência maior de fraudes por conta de suas particularidades.

Outro fator a ser levado em conta é o teto no valor das transações, que por um padrão do mercado brasileiro, é de R$ 50. “É um limite que desincentiva o fraudador na prática do golpe e se tornou um padrão do mercado justamente por esse motivo”, explica Umeda. "Acima desse valor, mesmo as transações por aproximação passam a exigir senha", acrescenta.

O especialista em meios de pagamento Renato Sevegnani, da Argotechno, vai além e aponta que os riscos envolvidos em uma tentativa de fraude dessa categoria são muito maiores que os ganhos, o que faz com que não valha a pena. “Tecnicamente, [a fraude] é possível, mas também trabalhosa demais. Nunca imaginamos que seria um problema”, explica.

O fato de os pagamentos só funcionarem a uma distância máxima de quatro centímetros da maquininha, por exemplo, é o principal fator para inviabilizar o golpe. Segundo Sevegnani, o terminal usado pelos golpistas também deve estar associado a uma empresa registrada e emite um apito alto quando a compra é realizada, algo que chama ainda mais atenção do que o fato de o bandido estar andando em meio aos bloquinhos com um aparelho do tipo na mão.

A fraude também é facilmente identificada e contestada, muitas vezes pelo próprio aplicativo do banco, que aciona a loja e pode acabar bloqueando o terminal, que exige reativação para que mais compras sejam feitas. “O golpista pode nem mesmo receber o dinheiro, que só chega para ele, no mínimo, um dia depois. Nesse tempo, o cliente já tomou as medidas necessárias e nem sofre com isso”, completa.

Como evitar problemas

Caso não se sinta seguro, usuário pode desligar a opção de pagamentos por aproximação. Nubank também recomenda a customização dos cartões como medida para ocultar os dados pessoais (Imagem: Divulgação/Nubank)

Mesmo com todas essas camadas, Sevegnani acredita que a possibilidade de desativação do pagamento por aproximação é útil para os mais cautelosos. Essa também é uma alternativa indicada pelo Nubank, que em suas dicas específicas não apenas para o Carnaval, mas também para a vida, recomenda que os usuários desliguem as transações contactless caso se sintam inseguros com essa possibilidade.

A fintech cita as transações por aproximação entre as mais seguras do mundo, com menores índices de fraude, e reforça a fala da Visa sobre o fato de o plástico jamais sair das mãos do usuário, o que evita clonagem ou a cópia dos dados. O uso de adesivos para esconder os dados bancários também é uma recomendação da empresa para o Carnaval.

Pagamentos por celular deixam o cartão físico de lado e são alternativas para ampliar segurança (Imagem: Reprodução/Natalie Rosa)

Seja durante a folia ou não, a diretora de risco da Visa ainda indica outros cuidados aos clientes, que devem ficar atentos à carteira e a quem entregam seus cartões, cujas senhas não devem ser anotadas nos próprios ou em papéis anexados a eles. “Para ampliar a segurança, indicamos a tecnologia NFC dos celulares, que nem mesmo envolve os plásticos e utilizam biometria ou senhas para autorização”, completa Umeda.

Ela recomenda o uso de autenticação em duas etapas, que também envolve tecnologias biométricas, para acessar os aplicativos dos bancos, o que acaba impedindo fraudes no caso de perda ou furto do celular. Em casos desse tipo, o ideal é avisar a instituição bancária o mais rapidamente possível e pedir pelo bloqueio imediato para evitar mais problemas.

A representante da Visa ainda cita a tokenização, uma nova tecnologia de transações que deve deixar as preocupações com fraudes e clonagem de cartões ainda mais de lado. No novo formato, as compras são feitas a partir de um identificador exclusivo de cada cliente, não envolvendo o compartilhamento de dados bancários dos usuários. Em 2019, o formato foi responsável por uma queda de 20% na incidência de fraudes em relação aos pagamentos tradicionais.

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