OTAN considera Petya um ato de guerra

Por Redação | 03 de Julho de 2017 às 14h01

A OTAN afirmou que o governo de um país esteve por trás dos ataques cibernéticos que atingiram mais de 12 mil dispositivos ao redor do mundo na última semana. A organização disse que a série de golpes que comprometeram serviços essenciais e instituições de saúde e finanças, inclusive no Brasil, pode ser considerado um ato de guerra.

Sem citar nomes, a OTAN afirma que o golpe foi lançado por um país, ou por hackers que receberam apoio de uma nação. Isso se deve ao fato de que a operação seria complexa e cara demais para criminosos independentes, que ou seriam descobertos durante o planejamento ou não teriam os recursos necessários para lançar um ataque dessa magnitude.

A organização aponta ainda para o fato de que, apesar de os golpes terem sido realizados com uma praga do tipo ransomware, a obtenção de dinheiro não seria a finalidade. Isso se deve ao fato de não existir nenhum tipo de tentativa de manter ativo o endereço de e-mail relacionado à transferência do dinheiro nem esforços para roubos de dados de empresas, o que contrasta com o fato de o ataque ter sido direcionado a elas.

Seria, para a OTAN, uma tentativa de ocultamento das reais intenções por trás da operação e uma “demonstração de poder” por parte dos responsáveis. O secretário geral Jens Stoltenberg viu o ato como uma amostra do que os responsáveis são capazes de fazer, gerando confusão em países inimigos, que se viram incapazes de tomar medidas rápidas o bastante para conter os golpes.

Sendo assim, ele considera a ação como um ato de guerra e disse que a disseminação de ataques digitais pode acabar motivando a convocação do Artigo 5 do Tratado. Segundo ele, os estados-membros devem auxiliar qualquer outro país que esteja sob um ataque. O princípio de defesa coletiva foi ativado uma única vez, após os atentados de 11 de setembro de 2001, com o envio de tropas internacionais para o Afeganistão.

Para Stoltenberg, essa ideia poderia se aplicar também agora devido ao fato de sistemas governamentais e de assistência à população terem sido o alvo claro dos malwares, que se realmente lançados por um país, constitui uma flagrante violação de soberania. O ato também poderia causar incidentes internacionais e diplomáticos entre os países envolvidos, de forma a causar turbulência política.

O malware Petya – também chamado por variações – chegou a 12 mil dispositivos em 65 países. Sistemas de metrô, bancos, empresas de logística e instituições de saúde, além de órgãos governamentais, petrolíferas e outros, estiveram entre os órgãos afetados pelo golpe, principalmente na Europa. A praga, entretanto, chegou também ao Brasil, com o Hospital do Câncer de Barretos, por exemplo, sendo um dos atingidos.

Pouco mais de US$ 10 mil teriam sido obtidos pelos hackers, mas o e-mail associado ao envio da confirmação de pagamento foi rapidamente fechado pelas autoridades, o que impedia a devolução dos arquivos aos usuários infectados, mesmo após o acerto do “resgate”. Para especialistas, essa simplicidade seria uma prova do caráter destrutivo, e não financeiro, dos ataques.

A possibilidade de o golpe se tratar de um ataque com fins políticos já vinha sendo levantada por especialistas em segurança desde o começo de sua proliferação. Mais uma vez, o foco aprimorado em empresas de infraestrutura e órgãos governamentais apontavam para essa conclusão, enquanto sua proliferação, principalmente, na Ucrânia, faziam pensar se tratar de uma operação conduzida pelo governo russo.

O Kremlin, entretanto, negou qualquer participação no caso e apontou, inclusive, que uma de suas principais petrolíferas também foi afetada pelo ransomware. Para analistas, entretanto, esse fato levantou ainda mais suspeitas devido ao fato de a Rosneft ter sido uma das poucas atingidas a não ter sua capacidade de produção alterada, agindo rápido para conter a proliferação e eficácia da ameaça.

Fonte: CNBC

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