ONU denuncia uso de redes sociais e apps de mensagens em tráfico de pessoas

Por Redação | 09 de Setembro de 2016 às 12h53
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A escravidão pode parecer um absurdo para nós, que moramos em cidades e países pacíficos e desenvolvidos. Entretanto, em zonas de conflito e regiões empobrecidas do mundo, essa ainda é uma realidade frequente, e, acima de tudo, um grande negócio para grupos radicais. É o que aponta um relatório da Organização das Nações Unidas, que evidencia o uso de aplicativos mensageiros e redes sociais para negociações e leilões de pessoas nesse tipo de situação.

De acordo com a ONU, atualmente são cerca de 45,8 milhões de pessoas em situação de escravidão ao redor do mundo. E, mais do que isso, a organização de grupos como o Estado Islâmico e o Boko Haram, em busca de soldados, homens-bomba ou escravas sexuais, estaria atingindo uma escala não vista desde a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas possuíam campos de concentração e trabalho forçado voltados para judeus e outras minorias que eles consideravam inferiores.

Essa situação leva não apenas a uma grande população presa e trabalhando contra a própria vontade, mas também a verdadeiros mercados de mão-de-obra escrava. O relatório da ONU, por exemplo, cita o uso do Telegram e do WhatsApp em leilões desse tipo, coordenados pelo Estado Islâmico, enquanto grupos restritos no Facebook já teriam sido usados para vender refugiados capturados.

A escravidão sexual é uma das alternativas mais comuns, com mulheres presas tendo seus nomes, informações pessoais e fotografias – muitas vezes, nuas – sendo compartilhadas para quem quiser pagar mais. Os responsáveis pela venda fixam um preço inicial e, a partir daí elas se tornam propriedade de quem pagar mais. Muitas constam em registros de pessoas desaparecidas e jamais são vistas novamente pelos familiares ou entes queridos que as procuram.

Cada vez mais, também, grupos guerrilheiros buscam pessoas para atuarem forçadamente como soldados no campo de batalha. Recentemente, chocou o mundo a notícia de que o Estado Islâmico estaria usando criança como homens-bomba, mas, de acordo com a ONU, essa não é nenhuma novidade, com os pequenos sendo escravizados nas zonas de conflito e obrigados a tomar a linha de frente, enquanto os soldados treinados vêm logo atrás e têm a vida preservada. E, novamente, muitas dessas negociações acontecem por meio de redes sociais e aplicativos mensageiros.

Na próxima semana a ONU vai condecorar Nadia Murad Basee Taha, sobrevivente desse tipo de tráfico e responsável por um relato sobre o caso que deu origem às investigações. Ela se tornará Embaixadora da Boa Vontade e representa um marco no combate contra esse tipo de crime humanitário. Agora, a organização pede também o auxílio de governos e da iniciativa privada, principalmente das empresas responsáveis pelos serviços online, para tentar barrar os abusos.

Fonte: Business Insider

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