O papel da educação digital na defesa contra golpes e fraudes

O papel da educação digital na defesa contra golpes e fraudes

Por Ghassan Dreibi | 22 de Julho de 2021 às 10h00
mohamed Hassan/Pixabay

Em um dia como outro qualquer, você checa a mensagem que acabou de receber no seu WhatsApp ou qualquer outro aplicativo de mensagens. É uma mensagem de uma pessoa próxima, de confiança, pedindo ajuda para pagar uma conta pois o aplicativo do banco está bloqueado. Ela pede R$ 500, mas promete pagar no dia seguinte. Não demora muito e você descobre que, na verdade, este é um golpe, feito por um criminoso que clonou ou copiou a conta e as informações dessa pessoa próxima, e está usando para roubar dinheiro. Se você ainda não passou por isso, com certeza já conhece alguém que foi vítima.

Não apenas esta, mas diversas modalidades de golpe utilizando imagens e nomes de pessoas conhecidas vêm se popularizando nos últimos anos, utilizando aplicativos de mensagem, e-mails, SMS e até mesmo ligações. O denominador comum destes golpes é que eles utilizam informações que acreditamos serem privadas, mas estão à disposição de criminosos de forma ampla e com fácil acesso. Tudo que eles precisam é de um perfil em uma rede social (Facebook, Twitter, Instagram ou qualquer outra) e de um número de celular, também facilmente obtido.

O perfil do criminoso digital mudou nos últimos anos. Mesmo que isto soe contraditório, quanto mais avançamos na inclusão digital da população, mais os golpes digitais têm usado formas simples de roubar dinheiro e informações das pessoas. Ninguém precisa ser mais “hackeado” para ser vítima de um golpe, e o criminoso também não precisa ter um grande conhecimento sobre as falhas de segurança de aplicativos e sistemas. Seja utilizando perfis falsos como já citei, ou usando links maliciosos, o phishing, a falha que eles utilizam é outra: a falta de uma cultura de educação e boas práticas de segurança digitais na nossa sociedade.

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Embora este também seja um problema no meio empresarial, aqui estou me referindo às boas práticas que nós, usuários finais precisamos ter no nosso dia a dia para minimizar as chances de sermos vítimas destes golpes. Em um mundo altamente digitalizado como o que estamos vivendo, o cuidado com nossas informações deve ser tão rigoroso quanto o cuidado com nosso dinheiro, já que cada vez mais um está diretamente ligado ao outro.

Não que não existam ferramentas de segurança fornecidas pelas plataformas que usamos. Praticamente todas as redes sociais mais populares, assim como os aplicativos de mensagem e contas de e-mail disponibilizam a verificação de duas etapas ao usuário, além de exigirem senhas fortes, utilizando letras, números e símbolos. Contudo, para que estas ferramentas funcionem, elas precisam ser utilizadas de forma adequada. No fim, o usuário é sempre o maior responsável pela segurança das suas informações.

É diante deste cenário que precisamos popularizar e incentivar a educação digital da nossa sociedade. Precisamos ter em mente que a inclusão digital não é apenas dar às pessoas acesso à tecnologia, mas também prepará-las para se proteger neste meio. E atualmente estamos diante de um desafio duplo: preparar as crianças e jovens que já estão crescendo num ambiente digital para terem estas boas práticas como algo natural, mas também educar gerações de pessoas que estão tendo contato com esta ultra conexão em uma fase mais madura de suas vidas. São milhões de pessoas com mais de 50 ou 60 anos, muitas vezes chefes de família responsáveis pela renda de uma casa, que estão à mercê de criminosos digitais, sem o devido conhecimento de como se proteger.

A busca pela educação digital é uma corrida contra criminosos que se dedicam a encontrar novas formas de fraudar informações e roubar milhares de pessoas por ano. A preocupação de consumidores e empresas com a privacidade de seus dados é alta no Brasl. Segundo um relatório recente da Cisco, 87% dos consumidores manifestam preocupação com as proteções de privacidade nas ferramentas de que precisam para trabalhar, interagir e se conectar remotamente.

Temos feito algum progresso: a LGPD foi um passo importante no controle e segurança das informações pessoais, o que, por sua vez, incentivou várias empresas a reforçarem seu compromisso com a segurança de seus ambientes online. Mas como já dito, no fim, o usuário é sempre o maior responsável pela sua segurança. E para solucionar esta falha, só exista uma solução: educação digital.

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

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