MoviePass está coletando mais dados de usuários do que deveria

Por Jessica Pinheiro | 07 de Março de 2018 às 15h39

Hoje em dia, é muito comum que serviços online coletem dados do usuário para que possam entregar o que é pedido de forma mais eficiente. O MoviePass, por sinal, é um destes. A plataforma americana de ingressos de filmes traz ao usuário a possibilidade de ver um filme por dia nos cinemas associados pela bagatela de US$ 10 ao mês. Todavia, este não parece ser o único custo que a empresa vem cobrando.

Na última sexta-feira (2), o CEO da MoviePass, Mitch Lowe, falou a respeito durante o evento Entertainment Finance Expo, oferecendo uma visão mais técnica da coleta de dados de sua empresa. Os recursos para angariar as informações dos usuários, no entanto, vão além do esperado.

De acordo com Lowe, a empresa recebe uma enorme quantidade de informações. Uma vez que o cartão para membros do serviço é enviado através dos correios ao assinante, é óbvio que ao menos o endereço já é uma informação que faz parte da base de dados. “Conhecemos seu endereço residencial, é claro, sabemos a composição dessa casa, das crianças, suas faixas etárias, seus rendimentos. É tudo baseado em onde você mora”, comenta o CEO, “Não pedimos por isso. Então, já que você está sendo rastreado pelo GPS no seu telefone, nossa patente basicamente liga e desliga o nosso sistema de pagamento conectando esse cartão à ID do dispositivo no telefone. Assim observamos como você dirige de casa para o cinema. Nós observamos aonde você vai depois, e então conhecemos os filmes que você assiste. Nós sabemos tudo sobre você. Não vendemos esses dados. O que fazemos é que usamos esses dados para comercializar filmes”, afirma.

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A ideia da MoviePass de reunir todas estas informações com base onde o usuário mora (e, supostamente, ao que assiste também), é demasiadamente preocupante. Ainda mais sabendo que a empresa está literalmente rastreando os aparelhos celulares usando o GPS.

Lowe havia declarado estas informações quando deu seu principal discurso ainda na feira, intitulado “Dados são o novo combustível: como a MoviePass pode monetizar isso?”. Na ocasião, o CEO afirmou que as informações coletadas dos usuários não são vendidas, mas, em vez disso, são “filmes de mercado”. A visão geral da empresa é a de que, eventualmente, esses dados possam ser usados para ajudar os próprios usuários a planejar uma ida ao cinema em uma sexta-feira à noite, por assim dizer. Em teoria, a pessoa ainda teria auxílio do aplicativo para escolher onde jantar em seguida, e a MoviePass, ao estabelecer parcerias com diferentes serviços, obteria uma parte da conta.

Um porta-voz da MoviePass fez uma declaração ao Mashable, dizendo o seguinte:

"Na MoviePass, nossa visão é construir ida completa no cinema à noite. Estamos explorando a utilização de marketing baseado em localização como forma de ajudar a melhorar a experiência geral, criando mais oportunidades para que nossos assinantes aproveitem todos os vários elementos de um bom passeio ao cinema. Não iremos vender os dados que reunimos. Ao invés disso, vamos usá-los para informar melhor como oferecer potenciais benefícios aos clientes, incluindo descontos em transportes, cupons para restaurantes nas proximidades e outras oportunidades parecidas. Nosso maior objetivo é oferecer uma experiência completa no cinema a um preço que qualquer pessoa possa pagar e que todos possam desfrutar”.

Fonte: Mashable

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