Meta e hospitais dos EUA são acusados de usar dados médicos para publicidade

Meta e hospitais dos EUA são acusados de usar dados médicos para publicidade

Por Felipe Demartini | Editado por Claudio Yuge | 01 de Agosto de 2022 às 14h20
Will Francis/Unsplash

Dois hospitais do estado americano da Califórnia, ao lado da Meta, dona do Facebook, estão sendo acusados de violar a privacidade de cidadãos ao utilizarem dados médicos em campanhas publicitárias sem autorização. As informações pertenceriam a portais médicos, protegidos por login e onde estão informações sensíveis de pacientes, sem pedidos de consentimento para uso de tais registros.

Na ação de classe movida nos Estados Unidos, a Meta é citada ao lado do Centro Médico da Universidade da Califórnia, São Francisco e também da Fundação Médica Dignity Health. O processo traz screenshots que comprovariam o uso das informações para fins de marketing, com anúncios exibidos no Facebook e e-mail marketing trazendo informações e ofertas relacionadas a condições de saúde específicas citadas nos sistemas supostamente controlados.

Para piorar a situação, de acordo com os documentos submetidos à justiça, muitos dos tratamentos exibidos nas propagandas não possuem comprovação científica ou aprovação das autoridades americanas. Os responsáveis pela ação apontam ainda que a coleta de tais informações, a partir de sistemas fechados, é ilegal de acordo com a constituição americana, mesmo que os pacientes dessem consentimento para essa utilização.

Imagens anexadas ao processo exibem anúncios via Facebook e e-mail relacionados a dados médicos que teriam sido cadastrados em sistemas privados (Imagem: Reprodução/Northern District of California)

A acusação estaria relacionada ao uso dos chamados Meta Pixels, itens usados pela empresa para coletar dados dos usuários mesmo quando eles não possuem uma conta no Facebook ou Instagram. Enquanto apenas as duas instituições de saúde são citadas por, supostamente, compartilharem as informações de pacientes com a rede social, a ação afirma que 33 dos 100 maiores hospitais dos EUA utilizam a tecnologia em seus portais, o que poderia levar a novos casos desse tipo.

Nesse caso, de acordo com a ação, seriam mais de 26 milhões de pessoas atingidas, de acordo com dados de 2020. Dos 100 analisados, ainda, sete teriam o Meta Pixel em páginas protegidas por senha ou outros tipos de verificação de identidade, também abrindo a possibilidade de dados sensíveis ou sigilosos serem usados em campanhas publicitárias, como aconteceu com os dois hospitais da Califórnia citados na ação de classe.

Por outro lado, os termos de uso da própria tecnologia afirmam que sistemas de filtragem agem para evitar que dados sensíveis ou confidenciais sirvam para alimentar algoritmos de propaganda. O texto oficial inclui, especificamente, informações de saúde como um exemplo disso.

O processo, aberto no final de junho deste ano, busca indenizações pela invasão e quebra da privacidade dos pacientes da instituição, além de acusar as empresas de fraude, enriquecimento ilícito, quebra de contrato e violações específicas relacionadas a dados e informações de saúde. As companhias não se pronunciaram sobre o caso.

Fonte: Bloomberg, Northern District of California  

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