Kaspersky Lab aceita mostrar seu código-fonte ao governo dos Estados Unidos

Por Redação | 03 de Julho de 2017 às 15h36
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No último domingo (2), a empresa de segurança Kaspersky Lab anunciou que está disposta a entregar seu código-fonte aos Estados Unidos. A iniciativa vem como resposta a tendência dos governos em exigir que companhias de tecnologia compartilhem seu source code caso tenham interesse em fazer negócios. “Qualquer coisa que eu possa fazer para provar que não nos comportamos de maneira maliciosa, eu farei”, anunciou o CEO da empresa, Eugene Kaspersky.

O que acontece é que uma proposta com a ideia de “proibir [o Departamento de Defesa] de usar plataformas de software desenvolvidas pela Kaspersky Lab” acabou avançando no Senado norte-americano. “O Secretário de Defesa deve garantir que qualquer conexão de rede entre… o Departamento de Defesa e um departamento ou agência do governo dos Estados Unidos que esteja usando ou hospedando em suas redes uma plataforma de software [associada com a Kaspersky Lab] seja imediatamente cortada”, diz o documento.

A principal razão para a ameaça é a desconfiança de que a Kaspersky Lab tenha relação com o governo russo, o que a empresa nega veementemente. “Como uma companhia privada, a Kaspersky Lab não tem laços com qualquer governo, e a empresa nunca ajudou, e nem vai ajudar, qualquer governo no mundo com seus esforços de ciberespionagem”, afirmou a Kaspersky Lab em uma declaração oficial.

Apesar do pedido para a Kaspersky ter vindo dos Estados Unidos, o governo russo também tem demandado pedidos iguais para empresas como Cisco, IBM, Hewlett Packard Enterprise, McAfee e SAP, que aceitaram mostrar seu “código para produtos de segurança, como firewalls, aplicativos anti-vírus e software que contenha criptografia”, segundo as informações. A Symantec, outra empresa de segurança, também recebeu o pedido, mas se recusou a cooperar. “Isso representa um risco para a integridade de nossos produtos que não estamos dispostos a aceitar”, disse a companhia.

A verdade é que seja para o governo russo ou norte-americano, os riscos de acesso ao código-fonte são os mesmos, já que as vulnerabilidades de segurança poderão ficar expostas. Caso as empresas comecem a concordar, de fato, com as solicitações, qual será o limite dos governos?

Via Gizmodo