Inteligência artificial pode abrir novas portas para ciberataques

Por Redação | 25.11.2016 às 20:34

O rápido desenvolvimento da inteligência artificial (IA) está preocupando os especialistas em cibersegurança. Se os computadores já conseguem se comunicar conosco de maneira extremamente interativa, lendo nossos lábios e tentando adivinhar nossos próximos movimentos, eles também poderão se comportar como os hackers de hoje, em um futuro não tão distante.

O poder da IA foi demonstrado nos Estados Unidos, pelos organizadores do Cyber Grand Challenge, uma competição patrocinada pela agência de defesa americana. Sete supercomputadores competiram entre si para mostrar como as máquinas são capazes de encontrar e reparar, sozinhas, diversas vulnerabilidades de software.

A ideia, em tese, é que é possível programar computadores para repararem qualquer código, tudo com base na inteligência artificial. Ora, se eles conseguem trabalhar em códigos para o bem, por que não poderiam para o mal? É exatamente isso que vem preocupando as empresas de cibersegurança: hackers virtuais, programados via IA.

Um computador programado para o cibercrime poderia escanear softwares inteiros em busca de falhas e vulnerabilidades e, ao encontrá-las, poderia explorá-las. E é claro que a eficiência de uma máquina para tratar códigos é muito superior a de um humano. Se a questão for tempo, em outras palavras, isso quer dizer que uma máquina levaria poucas horas para desenvolver hacks que, atualmente, levam meses para ficarem prontos se elaborados por seres humanos.

A potencial ameaça já é reconhecida e vem sendo pesquisada pelos especialistas. David Melski, vice-presidente de pesquisa da GrammaTech (uma das empresas que construíram um supercomputador para competir na Cyber Grand), diz que sua companhia está considerando usar a IA para ajudar vendedores a prevenirem falhas em seus dispositivos de Internet das Coisas ou tornar browsers mais seguros. “Entretanto, descobrir vulnerabilidades é uma faca de dois gumes”, ele disse. “Nós também estamos aumentando a automação de tudo”.

As companhias de tecnologia, no entanto, ainda não criaram uma inteligência artificial tão séria assim. Por enquanto, a indústria usa uma IA "benéfica" que é voltada para games, atuar como assistentes pessoais ou ajudar a identificar doenças. E é por isso que a hora para começar a explorar o potencial da IA é agora.

Qualquer um que esteja se aprofundando em IA para o cibercrime pode dar de cara com barreiras de entrada, como o preço da tecnologia, por exemplo. Usar aprendizado de máquina pode sair bem caro, na ordem de milhões. É preciso ter, além de hardware e software dedicados, uma boa infraestrutura de nuvem e uma velocidade rápida de conexão para dar conta das milhares de informações por segundo envolvidas na tecnologia.

Mesmo assim, vale a preocupação. Afinal, no mundo do cibercrime também existem aqueles que investem pesado, acreditando que o que conseguirão depois gerará um bom retorno. A tecnologia, realmente, é assustadora.

Via IDG Now!